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São Paulo pode estar próxima da imunidade de rebanho


Epidemiologistas e novos estudos sugerem que a chamada imunidade coletiva, necessária para conter a expansão da Covid-19, pode ter estar sendo calculada de forma imprecisa. Na cidade de São Paulo, o máximo de prevalência de anticorpos encontrada na população foi de 3,3%, entre 14 e 21 de maio. Mesmo assim, e apesar da reabertura gradual, a capital registra queda sustentada de novos casos, a ponto de oferecer leitos a cidades onde a epidemia agora avança. A tendência observada está sendo a mesma na Europa, nos EUA e no Brasil: nos locais onde houve maior número de casos, a doença está em declínio. Nos que estavam sendo poupados, o momento é de aumento dos casos, e das mortes. (Folha)

Fernando Reinach: “Em Manaus, o número de casos subiu rapidamente, não foram adotadas medidas drásticas de isolamento social, os mortos foram enterrados em valas comuns no pico, e logo em seguida o número de casos diminuiu. Qual a causa dessa rápida queda do número de infectados em Manaus? Teria a cidade atingido a imunidade de rebanho? Um modelo matemático demonstra que isso pode ter ocorrido, e talvez esteja ocorrendo em cidades como São Paulo. Se for verdade, é uma ótima notícia. A imunidade de rebanho acontece quando o número de pessoas resistentes ao vírus atinge uma fração da população suficientemente alta para que o vírus não encontre pessoas suscetíveis à infecção. No caso do SARS-CoV-2, é atingida quando 60% da população. Mas será que 60% da população de Manaus teria sido infectada? Não sabemos, mas o fato é que em nenhuma cidade do mundo as taxas de infecção chegaram perto desse número (nas áreas mais pobres de São Paulo, a taxa de infecção algumas semanas atrás era de 16%). O que foi feito agora é simular uma população com dois tipos de heterogeneidade. A primeira consiste em dividir em seis faixas etárias e assumir taxas diferentes de interação entre esses grupos (por exemplo, pessoas da mesma faixa interagem mais entre si). A segunda heterogeneidade é dividir a população em três grupos de acordo com a intensidade de sua interação social. O resultado é surpreendente. Com a população homogênea, a imunidade de rebanho é atingida com 60% de pessoas resistentes —e esse número cai à medida que se aumenta a heterogeneidade, chegando a 34% das pessoas infectadas. Isso explicaria a queda dos casos em Manaus e a pequena queda que já estamos observando em São Paulo. Sem dúvida é uma boa notícia.” (Estadão)

Leia mais sobre o estudo que reexamina o problema da imunidade de rebanho. (Science Magazine)

Fonte: Meio

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