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Bolsonaro perde maioria no Congresso


Ainda não estão claras as consequências do cavalo de pau político dado por DEM e MDB no presidente Jair Bolsonaro, com a divisão do bloco no Congresso que lhe garantia apoio. Mas, ontem, a oposição celebrava a virada de jogo, de acordo com o Painel. A nova divisão entre os deputados tampouco está clara. Mas as negociações de hoje posicionarão o Congresso Nacional na briga política dos últimos dois anos de governo.

Vera Magalhães: “Não adianta nada nomes como Luiz Henrique Mandetta queimarem a largada especulando sobre candidatura presidencial a essa altura. Não bastasse haver um vírus à solta que terá matado 100 mil brasileiros até o início de agosto, ceifado milhões de empregos, virado o programa econômico de Paulo Guedes de cabeça para baixo e transformado as eleições municipais em nota de rodapé, isso para ficar só nos efeitos domésticos, outros acontecimentos em Brasília são pressupostos fundamentais para posicionar os corredores na linha de largada. Eles começam agora, nesse segundo semestre que inicia oficialmente em agosto. Não à toa Rodrigo Maia saiu do silêncio que vinha mantendo para comandar uma dissidência no ‘blocão’ de partidos da Câmara que deu suporte à sua presidência nesses quatro anos. Maia sabe que é vital não apenas para sua sobrevivência como líder político relevante, mas para a construção de qualquer projeto de centro dissociado do bolsonarismo e minimamente competitivo, manter o comando da Câmara no último biênio do governo. É ali, na Câmara, que pode nascer um dos temores maiores da existência do presidente, maior que acabar a cloroquina no meio da noite: a abertura de um processo de impeachment, algo que Maia evitou alimentar nesses dois anos de convivência tensa, mas que é um trunfo à mão de qualquer presidente da Casa, a depender do impulso das ruas, de um motivo jurídico e de combustível dos setores econômicos. Por tudo isso, para chegar competitivo a 2022 Bolsonaro tem de sobreviver não só ao 2020 do vírus e do desastre econômico como a dois últimos anos com atores no comando que ainda não estão em cena. Dois deles são escolhas de deputados e senadores, mas outros dependem da caneta do próprio Bolsonaro, que vai indicar, entre outros postos, um ministro do STF, Corte hoje hostil a ele e unida como poucas vezes, em novembro.” (Estadão)

Tales Faria: “Mesmo rachado, o Centrão não muda: continua em busca da maior expectativa de poder. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, soltou nota afirmando que a saída de seu partido e o MDB do Centrão é um fato costumeiro no Congresso, motivado apenas pela distribuição de cargos nas comissões. É o que se chama de uma meia verdade. O motivo foi político mesmo: Arthur Lira, líder do maior partido do centrão, o PP, resolveu apoiar abertamente o governo e encheu os olhos do presidente Bolsonaro com a possibilidade de fechar acordo com todo o bloco. O problema é que, até então, o grande líder do Centrão era o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. E ele não se dá com o presidente da República. Bolsonaro já se coloca como candidato à reeleição e Maia é postulante ao cargo. Com a saída do DEM e do MDB, o bloco de Arthur Lira caiu de cerca de 220 deputados para algo em torno de 150. Juntos, DEM e MDB têm apenas 63. Mas Rodrigo Maia deve tirar do bloco de Lira mais alguns integrantes. E deve manter-se com o apoio de partidos autointitulados ‘Centro independente’, ou ‘Novo centro’. Terá também cerca de 150 deputados. Assim, os dois Centrões que resultaram do racha do Centrão, tendem a continuar mandando na Câmara. Caso a maior parte se junte ao governo, sai vitorioso nas votações junto com Bolsonaro. Caso se junte à oposição, a derrota o é do governo.” (UOL)

Fonte: Meio

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