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Bolsonaro reforça ataque contra imprensa


Aproveitando o espaço de sua tradicional live de quintas-feiras, o presidente Jair Bolsonaro partiu para novo ataque contra imprensa e Congresso. E pegou a todos de surpresa com o tom. “Não vou renunciar ao meu mandato”, ele afirmou, “não vou dar dinheiro para imprensa.” O presidente apresentou nova versão para os vídeos que enviou por WhatsApp convocando para as manifestações do próprio dia 15. Desta vez, acusou a jornalista Vera Magalhães de falar de vídeos que, na verdade, seriam de 2015. Os filmetes, porém, tratam dele já como presidente e incluem imagens da facada que levou — em 2018. (Estadão)

Pois é... Bolsonaro quer acirrar a briga com a imprensa. Ele afirmou que pedirá aos empresários paulistas que parem de anunciar em veículos que, segundo ele, mentem sobre o governo. “Esses jornais, Folha, essas revistas, Época, só mentem o tempo todo, trabalham contra o governo.” Ele também arriscou um elogio à nova emissora que está para surgir. “Está para ser inaugurada a CNN Brasil, vai ser uma rede diferente da Globo. Torço para que isso seja real, nossos ministros vão dar entrevista para essa televisão.” O presidente não quer mais que seus ministros falem à imprensa da qual não gosta. (Poder 360)

Havia ali uma indireta para o general Luiz Carlos Ramos, ministro da Secretaria de Governo, que na véspera concedeu entrevista a Andréia Sadi, na GloboNews. Na conversa, Ramos afirmou que o sonho do ministro Sérgio Moro é ir para o Supremo. (G1)

Tampouco se referiu à ideia de renunciar ao mandato sem motivo. Bolsonaro respondia ao governador do Rio, que concedeu entrevista à repórter Marina Dias, durante evento em Washington. “O que se espera do presidente é que ele respeite as instituições, é que ele dialogue com o Congresso, dialogue com os governadores”, afirmou. Para Witzel, o presidente promove um movimento destrutivo para a democracia e a resposta possível é um impeachment. “Quer fazer em caráter privado? Renuncie à Presidência da República e pode fazer em caráter privado. Enquanto ele for presidente, o que ele fala, o que ele faz, o que ele comunica, para quem quer que seja, é comunicação do presidente da República.” (Folha)

Meio em vídeo: Mas, afinal... Por que a ação do presidente é golpista? Assista.

Mas... Enquanto do Planalto saem distrações, a crise entre Executivo e Congresso continua e pode se agravar. Na terça-feira, deputados e senadores devem se reunir para avaliar os vetos ao Orçamento. O Ministério da Economia deseja tempo para ao menos diminuir a tensão e reiniciar diálogo. A preocupação dos técnicos é o destino dos R$ 30 bilhões que eram controlados pelo Executivo mas que, após recusas sucessivas de negociar com parlamentares, o Legislativo tomou para si o poder de determinar como se gasta. A tentativa de abaixar o fogo é feita numa negociação tocada pelo secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, com assessores de Câmara, Senado e do Tribunal de Contas da União. A primeira ideia, de permitir que o Congresso determine a prioridade para execução de R$ 16 dos R$ 30 bilhões, foi rechaçada pelo Palácio. (Globo)

Enquanto isso... A agitação nas redes sobre a manifestação convocada para o dia 15 segue, mas divide a coalizão bolsonarista. Os lavajatistas querem que o mote principal se fixe em políticas públicas, principalmente a garantia de que haverá prisão após condenação em segunda instância. Os mais ligados ao presidente, porém, querem algo personalista — ‘somos todos Bolsonaro’. (Estadão)

Deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança: “O mais importante é a população se colocar contra o Congresso, em vez de a favor do governo. Você tem vários deputados, nenhum com soma de votos suficiente. Os deputados começam a jogar um jogo de desarmar o Poder Executivo de maneira sistemática. Não vejo fechamento do Congresso. Isso não tem cabimento. O Executivo colocou em pauta todas as reformas. O Congresso aguou ou engavetou. A população foi às ruas para empurrar as reformas. Quem fez a reforma da Previdência foi a vontade popular das ruas. O Congresso, em sua maioria no Norte e no Nordeste, foi eleito pela velha política, com prefeitos, cabresto, emendas parlamentares. O Sul/Sudeste é outro padrão.” (Folha)

Reinaldo Azevedo: “Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade na sua mais recente investida contra o Congresso e o Supremo? Nada menos de nove. Impeachment nele? Não agora. Inexiste o mínimo de 342 deputados para levá-lo a julgamento no Senado. Rodrigo Maia mandaria a petição para o lixo. Seria um erro político admitir uma denúncia que morreria já na Comissão Especial. É tempo de acumulação de forças no terreno democrático para conter a fascistização do governo e da política. Mais: as lideranças da Câmara e do Senado comprometidas com a institucionalidade têm de ficar atentas ao comportamento de figuras exóticas que integram as suas fileiras. Aqueles que marcharem contra as próprias Casas que os abrigam têm de ser denunciados ao Conselho de Ética por quebra do decoro e cassados.” (Folha)

Bernardo Mello Franco: “A escalada autoritária do governo tem estimulado comparações entre Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro. Mas ele não parece se inspirar na Venezuela, e sim no Peru de Alberto Fujimori. Em 1990, o escritor Mario Vargas Llosa entrou na sucessão peruana como favorito. Foi atropelado pelo azarão Fujimori, que seduziu o eleitorado com a imagem de homem simples e a promessa de combater a violência e a corrupção. O novo presidente assumiu sem maioria no Congresso, onde passou a sofrer sucessivas derrotas. Acuado, cercou-se de militares e iniciou uma ofensiva contra o Legislativo. Em abril de 1992, deu um autogolpe e passou a governar com plenos poderes.” (Globo)

Fonte: Meio

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