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Bolsonaro e Moro entram em choque


O presidente Jair Bolsonaro aproveitou uma reunião com os 27 secretários estaduais de segurança para levantar a possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança, tirando do ministro Sérgio Moro a segurança pública. Ele havia despachado com Moro horas antes, mas não o convidou para o encontro. A provocação do presidente ocorre por conta da disputa pelo comando da Polícia Federal. Bolsonaro havia tentado indicar um nome para o lugar do delegado Maurício Valeixo em setembro, mas o ministro resistiu publicamente. Falando da proposta, levada pelos secretários, o presidente comentou. “Isso é estudado”, disse, “é lógico que o Moro deve ser contra, mas é estudado com os demais ministros.” (Poder 360)

Quem conversa com Moro diz que o ministro tem ao menos uma coisa clara na cabeça, conta Bela Megale. Estar à frente da Segurança foi uma das condições para se tornar ministro. Sem a pasta, ele deixa o governo. (Globo)

Vera Magalhães: “Bolsonaro afirmou na quinta que estuda a recriação do Ministério de Segurança Pública. O ‘estudo’ veio dois dias depois da entrevista de Moro ao Roda Viva, que teve imensa repercussão. O ministro se mostrou mais político e, embora tenha dito várias vezes que não contraria Bolsonaro publicamente, marcou diferenças com o presidente em matérias como liberdade de imprensa, delações premiadas e juiz de garantias. Também foi evasivo sobre a possibilidade de trilhar uma carreira política no futuro. Moro parece não se abalar com as rasteiras do presidente, e intensifica sua própria construção de imagem nas redes. Já virou assíduo no Twitter, anunciou nesta quinta a entrada para o Instagram. Há quem veja o ex-juiz em estágio bem avançado de construção de uma candidatura. E é justamente isso que tira o sono do sempre paranoico Bolsonaro.” (BR Político)

Helena Chagas: “Bolsonaro está avisando ao navegante Moro que ele reduza sua velocidade política de pré-candidato e enquadre suas ambições, que, pelos planos presidenciais, não devem ultrapassar os limites de uma candidatura a vice em sua chapa de reeleição. Mas não é só isso. Acima desse propósito político — e talvez como razão principal para que venha a operar a mudança — está a segurança da família presidencial. Ou seja, o controle da Polícia Federal e de outros órgãos que podem investigar seus filhos, as milícias do Rio de Janeiro, etc. Não por acaso, Moro recuou nos últimos dias no apoio à federalização do caso Marielle. É como se mandasse um recado ao chefe e a outros interessados de que não quer se meter nesse assunto.” (Divergentes)

Bruno Boghossian: “Bolsonaro e Moro nunca estiveram tão próximos de um curto-circuito político. Apesar das eventuais homenagens de um e das recorrentes mesuras de outro, parecem cada vez mais dispostos a mergulhar numa disputa de poder inevitável. Embora o ministro seja considerado intocável por parte considerável da base bolsonarista, o presidente não demonstrou nenhum receio em contrariá-lo. Bolsonaro age para atordoar um personagem que o ameaça, mas esses choques também desgastam sua imagem entre os seguidores de Moro. Se o ministro decidir enfrentar o chefe, o presidente terá problemas.” (Folha)

Gustavo Bebbiano em entrevista a Tales Faria: “Até agora, Moro foi o freio que inibiu o uso político da Polícia Federal, o que, com toda certeza, irrita bastante o Jair. Sem o Moro, as chances de a PF ser utilizada como ferramenta de opressão contra os desafetos serão grandes. Isso poderá gerar um clima muito pesado no país.” (UOL)

Pois é... O Brasil caiu em índice de combate à corrupção. O país repetiu a mesma nota recebida em 2018, a sua pior desde 2012 no ranking feito pela ONG Transparência Internacional. Na 106ª posição, entre 180 países avaliados, o país está atrás de outros latino-americanos como Argentina (66ª), Chile (26ª), Colômbia (96ª), Cuba (60ª), Equador (93ª) e Uruguai (21ª). (Folha)

Fonte: Meio

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