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Trump pega Brasil de surpresa e aumenta tarifas


O presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi pego de surpresa, ontem de manhã, por um tuíte de seu par americano, Donald Trump. Os EUA vão reinstalar tarifas de importação sobre o aço e o alumínio brasileiros. Segundo Trump, o Brasil e a Argentina vêm desvalorizando suas moedas para incentivar exportações. O resultado é prejuízo para os agricultores de lá, as novas tarifas são uma forma de retaliação. O Brasil está entre os principais fornecedores de aço e ferro do país. Mas a recente aproximação comercial de Brasil e China pode ter sido um dos motivos para o aumento. Bolsonaro afirmou que não planeja responder a medida por não percebe-la como retaliação. Pretende, isto sim, conversar com o presidente americano. A Argentina também disse que iniciará as negociações com Washington. De acordo com Trump, as novas tarifas terão efeito imediato. Em março de 2018, ele estabeleceu números de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados. Em agosto do mesmo ano, o governo voltou atrás e anunciou um alívio nas cotas. Desde então, a Associação Brasileira do Alumínio afirma pagar uma sobretaxa de 10%. (Folha)

Não foram só os brasileiros pegos de surpresa. Os diplomatas americanos percebiam uma orientação de manter boas relações com o atual governo brasileiro. É a segunda frustração do Planalto em relação a Trump. A primeira foi a não inclusão do Brasil na lista dos recomendados à OCDE. (Estadão)

O Brasil segue se esforçando para promover uma visita de Trump. O esforço do Itamaraty é para marcar no primeiro semestre de 2020. O chanceler Ernesto Araújo acredita, segundo Bela Megale, que a presença do americano no Brasil mostraria alguma simetria na relação entre os dois países. (Globo)

O real foi a quarta moeda que mais perdeu valor em relação ao dólar no mês de novembro. Segundo analistas, o principal fator não é uma politica de desvalorização, mas sim, a guerra comercial entre EUA e China. (G1)

Míriam Leitão: “Trump faz isso para desviar o foco. Ele é alvo de um processo de impeachment no Congresso americano. O presidente fala como se a alta cotação do dólar fosse controlada pelo Banco Central do Brasil. Mas a desvalorização do real não foi um ato de governo. Na semana, o BC até tentou conter o avanço da moeda americana. No caso do peso argentino, ele perde valor porque há desconfiança em relação ao novo governo eleito, o que leva investidores a tirar os recursos de lá. O dólar está se valorizando no mundo inteiro também por reação à política de Donald Trump, que agora reclama.” (Globo)

Rubens Barbosa, diplomata: “A aproximação ideológica com os EUA e o acompanhamento em votações nos fóruns internacionais, além de gerar desgaste na percepção externa do Brasil, não encontram reciprocidade. Como dizia o insuspeito John Foster Dulles, ‘os países não têm amigos, têm interesses’. O relacionamento com os EUA vai passar por mais um teste quando for realizada a licitação para a implantação do sistema 5G. Como ficará a cooperação com os EUA em áreas sensíveis se ganhar uma empresa chinesa, como a Huawei? Pragmatismo e realismo deveriam prevalecer acima de questões ideológicas nas relações com os EUA, um de nossos principais parceiros.” (Estadão)

Fonte: Meio

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