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Demissão de general abre crise do governo com militares


O general Maynard Marques de Santa Rosa, ministro que ocupava a pasta da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, se demitiu ontem. Santa Rosa foi surpreendido pela manhã de ontem quando o também ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, lhe apresentou um relatório apontando baixa eficiência na pasta. O general afirmou que o relatório se baseia em números falsos, pediu o chapéu. Há, segundo ele “desalinhamento conceitual” com o governo Bolsonaro. A amigos, comentou que considera que “os interesses da pátria ficaram pequenos”. O Planalto entrou em crise com seu braço militar. (Globo)

Com o ministro saíram também Lauro Luís Pires da Silva, general de divisão do Exército, que ocupava o cargo de secretário especial adjunto; Ilídio Gaspar Filho, também general de divisão, secretário de Ações Estratégicas; e Walter Félix Cardoso Junior, bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, com 30 anos de Exército, que ocupava a posição de assessor especial, subordinado a Lauro Silva. (Veja)

E... O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que pode convocar para se esclarecer na Casa o general Augusto Heleno. Na semana passada, Heleno falou que seria preciso estudar como fazer um AI-5. “É uma cabeça ideológica, infelizmente o general Heleno, o ministro Heleno virou um auxiliar do radicalismo do Olavo. Uma pena que um general da qualidade dele tenha caminhado nesta linha.” (Folha)

Eliane Cantanhêde: “A queda de Santa Rosa por falta de suporte do Planalto já seria em si um bom motivo para insatisfação entre os disciplinados militares. Mas se torna ainda mais potencialmente explosiva pela sequência de generais que saíram do governo já no primeiro ano, por demissão ou decisão. A demissão mais mal digerida foi a do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Assim como Santa Rosa, ele também despachava no Planalto, a passos do gabinete presidencial. Logo, gozava de confiança do presidente Jair Bolsonaro. Essa confiança, porém, esbarrou na força de Olavo de Carvalho, o guru, ideólogo ou seja lá o que for, que mora na Virgínia há anos e, de lá, emana seu poder sobre os filhos de Bolsonaro, o chanceler, o ministro da Educação, o assessor internacional e o futuro embaixador nos EUA. Entre um general de primeiríssima linha e um guru de quinta, o presidente optou pelo guru. Também foram defenestrados os generais Jesus Corrêa (Incra), Juarez Cunha (Correios), Franklimberg de Freitas (Funai), um atrás do outro, sem que se ouvisse um pio da Defesa, do Exército, muito menos da Marinha e da Aeronáutica, primas pobres e com baixa representação no governo. O silêncio, porém, não pode ser confundido com amém, concordância, aplauso. Muito pelo contrário. A retumbante declaração do deputado Rodrigo Maia sobre o general Augusto Heleno ecoou em setores das Forças Armadas. Não exatamente por discordância. O chefe do GSI, muito querido entre os colegas, nem imagina quantos deles podem estar pensando assim. Líder natural, com um currículo invejável, o que se esperava de Heleno é que agregasse inteligência, bom senso e equilíbrio ao governo e ao presidente. Ao contrário, suspeita-se que ele esteja ajudando a atiçar o pior lado de Bolsonaro.” (Estadão)

Fonte: Meio

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