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Traição, a palavra mais dita em Brasília, ontem


Ontem foi dia de gravações divulgadas, tuítes presidenciais apagados, um dia em que predominou a palavra traição e, do qual, ninguém conseguiu sair se dizendo vencedor. O partido do presidente Jair Bolsonaro está derretendo num ritmo veloz. O primeiro traidor foi o deputado federal Daniel Silveira, do Rio — o mesmo que, candidato, quebrou a placa com o nome da vereadora Marielle Franco. Ele se infiltrou em uma reunião do lado bivarista do PSL para gravar o que conseguisse. “Fiz porque queria saber o que o grupo estava articulando contra o presidente”, explicou à jornalista Bela Megale. Pois flagrou o líder do partido na Câmara em uma crise de ódio. “Eu vou implodir o presidente”, afirmou o Delegado Waldir. “Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Andei no sol em 246 cidades gritando o nome desse vagabundo.” Waldir estava transtornado com a articulação feita pelo próprio Bolsonaro para destituí-lo da liderança e colocar seu filho Eduardo no lugar. Articulação, diga-se, frustrada. Waldir é líder, Bolsonaro perdeu. (Globo)

Mas não por isso. “Já passou”, afirmou o líder depois de a gravação divulgada. “Nós somos Bolsonaro. Somos que nem mulher traída, apanha, mas mesmo assim volta ao aconchego.” (Folha)

Quem terminou destituída de fato foi outra deputada pesselista, Joice Hasselmann, que ocupava a liderança do governo no Congresso. Terminou substituída pelo emedebista Eduardo Gomes. O MDB, assim, vai se consolidando até no governo que se afirma anti-establishment na vocação infindável de governista. O senador Fernando Bezerra Coelho já era líder do governo no Senado. (Poder 360)

Pois é... O tema do dia, traição. “Como eu disse muitas vezes”, afirmou Joice no Twitter, “eu jamais seria a primeira a trair. Mas sabia que poderia esperar a traição. Nada me abala. Todas as vezes que tentaram puxar meu tapete eu caí para cima. Então esperem.” (Twitter)

Daí que... Flávio Bolsonaro preside o PSL no Rio. Eduardo, em São Paulo. O presidente do PSL, Luciano Bivar, está para destituí-los a qualquer momento. (Globo)

Sem conseguir vencer sequer a disputa pela liderança de seu partido na Câmara, ficou mais distante a indicação do Zero Três à embaixada em Washington. O presidente da República desistiu pois as chances de conseguir aprova-la no Senado ficaram mais distantes com a crise, informa Guilherme Amado. (Época)

De imediato, a reação de Eduardo foi desmentir que estivesse sendo escanteado. Mas depois moderou o tom. “Não tem data, isso é momento político”, explicou o caçula político do presidente. “Não poderia, em meio à reforma da Previdência, meter meu assunto da embaixada”, afirmou a Igor Gadelha. (Crusoé)

E teve o Zero Dois. Pela primeiríssima vez, ele reconheceu que tuita pelo presidente. Mais cedo, o Twitter de Bolsonaro fez circular uma mensagem afirmando ser favorável à prisão após condenação de segunda instância. É o tema que o Supremo começou a avaliar. Na quarta-feira, Bolsonaro havia conversado privadamente com três ministros — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Não se sabe sobre o quê. Tuíte publicado, foi de presto apagado. E aí veio Carlos Bolsonaro em sua conta pessoal. “Eu escrevi o tweet sobre segunda instância sem autorização do presidente. Me desculpem a todos! A intenção jamais foi atacar ninguém!” A tuitosfera bolsonarista passou os últimos dias atacando a aparente intenção do Supremo de derrubar o início do cumprimento da pena mais cedo. Não está claro por que Bolsonaro correu para ordenar que se apagasse o post. (Estadão)

Mapa: quem forma cada um dos times — bolsonaristas e bivaristas — no PSL. (Folha)

E nada indica que a confusão vá parar. Conforme o Meio fechava, Bivar estava convocando, para hoje, uma convenção extraordinária do PSL. (CBN)

Igor Gielow: “Na política brasileira, prática de nepotismo e consolidação de dinastias são comuns. Na maior parte dos casos, o exercício do apadrinhamento respeitava algumas regras hierárquicas. O pai treinava seu substituto aos poucos, de cargo em cargo eletivo. Jair Bolsonaro foi disruptivo até nisso. O tratamento expresso dado a seus filhos na política é algo inaudito na história. O proverbial ‘filé mignon’ que o presidente já disse reservar à prole sempre foi destinado para os herdeiros do poder, mas nunca com tal grau de franqueza — seja na proteção ao enrolado senador Flávio, na embaixada prometida ao deputado Eduardo ou no papel preponderante do vereador Carlos na comunicação de governo. Bolsonaro apostou tudo contra Bivar e, com uma operação da Policia Federal no cangote do dirigente, parecia fadado a ganhar a disputa. Os movimentos dentro das regras do chefe do PSL, contudo, mostram que o jogo está aberto. E é uma disputa perigosa. Qualquer pessoa que falou com Bolsonaro ao longo dos meses sabe que a língua hoje presidencial é solta. Quando um líder do PSL chama o mandatário máximo de vagabundo e promete implodi-lo, a sinalização é das piores para o Planalto. Bolsonaro sempre pregou sua aversão ao presidencialismo de coalizão. Venceu a eleição e manteve a palavra, mas na hora de apresentar a alternativa, emulou o pior de práticas de famílias reais. O preço da opção está sendo colocado na mesa agora.?” (Folha)

Do Meio: O editor Pedro Doria avalia as crises bolsonaristas e a obsessão do presidente por ver o povo na rua em sua defesa. (YouTube)

Fonte: Meio

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