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Perícia contradiz porteiro e Bolsonaro não liberou assassino de Marielle


A promotora Simone Sibilio, do Ministério Público do Rio, afirmou ontem em uma coletiva que não foi da casa do presidente Jair Bolsonaro que se autorizou a entrada do ex-PM Élcio Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, em 14 de março de 2018. Élcio é acusado de ter dirigido o carro na operação que levou ao assassinato da vereadora Marielle Franco, naquele mesmo dia. “A prova técnica juntada aos autos mostra que, às 17h07, quem autoriza a entrada de Élcio é Ronnie Lessa”, ela disse. Lessa é acusado de ter feito os disparos e morava no mesmo condomínio do presidente. A prova à qual a procuradora se refere é a gravação do áudio do interfone, que o sistema da portaria indica ter sido feito à casa 65 (de Ronnie) e não à 58 (de Bolsonaro). A gravação contradiz o livro de registros da portaria, com a anotação feita à mão no dia, marcando que foi a casa do presidente que liberou. O porteiro concedeu dois depoimentos gravados confirmando o livro. (G1)

Lessa e Queiroz foram presos em 12 de março deste ano. Foi só em 4 de outubro agora, porém, que a Polícia Civil e o MP-RJ receberam os dados que estavam em seus celulares. Em janeiro, a mulher de Lessa lhe enviou mensagem com a foto do livro de registros da portaria — foi o que chamou a atenção do MP. No dia seguinte, 5 de outubro, a Polícia requisitou o livro para confirmar a foto. No dia 7, o síndico se antecipou à polícia e enviou o áudio que contradiz o escrito. Foi neste mesmo dia que a delegacia tomou o primeiro depoimento do porteiro. Em 9, tomou o segundo — agora com a presença do MP. Em 10, o Ministério Público informou ao Supremo que Bolsonaro fora citado. Só ontem, dia 30, após a divulgação da notícia, que ficou pronta a perícia afirmando que não houve manipulação no sistema de áudios do condomínio. (Globo)

O advogado de Queiroz também desmente a anotação do porteiro, informa Mônica Bergamo. “Isso já havia sido esclarecido”, ele diz. “Nunca disse na entrada que iria na casa do presidente. O porteiro anotou o número errado.” (Folha)

O vereador Carlos Bolsonaro tem acesso ao sistema de áudio do condomínio, onde também vive. Ontem cedo, no Twitter, divulgou um vídeo mostrando os registros gravados. (G1)

O presidente foi avisado de que seu nome fora citado no dia 9 de outubro, quando ocorreu o segundo depoimento do porteiro. O governador fluminense Wilson Witzel que o informou. No dia 16, Bolsonaro teve duas reuniões com ministros do Supremo. Uma, com o presidente da Corte Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Outra, em separado, com Gilmar Mendes. (Folha)

Deputados federais do Rio, tanto de direita quanto de esquerda, desconfiam que o depoimento do porteiro foi influenciado por grupos que tentam atrapalhar a investigação do assassinato. O objetivo seria desviar o foco do principal suspeito de ser mandante, o ex-deputado Domingos Brazão, segundo o Painel. Bolsonaro, por sua vez, culpa Witzel pela divulgação da história para a imprensa. (Folha)

Fonte: Meio

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