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Nome de Bolsonaro envolvido no caso Marielle


Horas antes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, um dos dois suspeitos do crime informou que pretendia visitar o presidente Jair Bolsonaro. Élcio de Queiroz informou ao porteiro do Condomínio Vivendas da Barra que pretendia ir à casa de número 58. É um dos dois imóveis do presidente — o outro é onde vive seu filho Carlos. O relógio marcava 17h10, em 14 de março de 2018. A informação está no livro registro da portaria. Em depoimento à polícia, o porteiro informou ter ligado para a casa e ter sido atendido por quem identificou pela voz ser o ‘seu Jair’, que autorizou a entrada. Pelo registro de vídeo, porém, viu que o Logan foi para outra casa — a de número 66. É onde morava Ronnie Lessa, o segundo suspeito do crime. Preocupado, o porteiro tornou a ligar para a casa 58 e o mesmo homem que o havia atendido afirmou que sabia para onde Élcio ia. O furo, veiculado ontem pelo Jornal Nacional, é dos repórteres Arthur Guimarães, Felipe Freire, Leslie Leitão, Marco Antônio Martins e Tyndaro Menezes. Neste mesmo dia, de acordo com os jornalistas, o então deputado Jair Bolsonaro marcou presença às 14h e, depois, às 20h30, nas duas votações que ocorreram na Câmara, em Brasília. Também postou vídeos em suas redes sociais capturados em seu gabinete. Não poderia estar no Rio. Existem os registros de áudio do interfone do condomínio, e os investigadores estão recuperando os arquivos para identificar com quem o porteiro conversou realmente. Ao ver mencionado o nome do presidente, representantes do Ministério Público do Rio foram a Brasília, onde consultaram o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Queriam saber se poderiam continuar a investigação. Ainda não há resposta. (G1)

Bolsonaro respondeu de bate-pronto. Já passavam das 3h na Arábia Saudita quando, vestindo terno em seu hotel, ele entrou numa live via Facebook. Começou calmo, mas aos poucos foi se exaltando. Há momentos de fúria. “Ou o porteiro mentiu ou induziram a cometer um falso testemunho”, afirmou. Acusou o governador fluminense, Wilson Witzel, de ter sido o responsável pelo vazamento da informação contida no inquérito. “O senhor só se elegeu governador porque ficou o tempo todo colado com o Flávio, meu filho.” Mas, nos quase 24 minutos da transmissão, os momentos de maior raiva foram dedicados à TV Globo. “Sou presidente da República, não deveria perder a linha com vocês, mas estou no meu limite. Vocês não prestam, TV Globo. Vocês esculhambam a família 24 horas por dia. Só mostram o que está dando errado. É uma canalhice o que vocês fazem.” Bolsonaro ameaçou a emissora. “Vocês vão renovar a concessão em 2022, não vou persegui-los, mas o processo tem que estar limpo. Se não estiver limpo, não tem concessão da renovação de vocês. Vocês apostaram em me derrubar no primeiro ano e não conseguiram.” (Poder 360)

Assista à íntegra. (Facebook)

Igor Gielow: “O fantasma do caso Marielle Franco voltou com força a rondar a família presidencial, como tem feito de forma cíclica desde o começo de seu mandato. Apesar de um depoimento frágil dizer que ele estaria lá, estava com presença registrada na Câmara. O álibi factual é bom, mas combinemos: só o fato de o nome do presidente estar numa investigação rumorosa como essa, e o STF ter de se posicionar sobre o caso, já é bastante ruim politicamente para o grupo ora no poder. A primeira reação de Bolsonaro ao caso pode até funcionar para sua base de apoio, mas um observador mais imparcial viu um presidente descontrolado dizendo que não matou ninguém. Assim como no episódio do tuíte com o STF e outros sendo chamados de hienas, não deve passar despercebido como o bolsonarismo anda alimentando uma paranoia de conspiração esquerdista continental. Se depender do filho deputado do presidente, o agora sem-embaixada Eduardo, o Brasil pode até namorar práticas ditatoriais se houver uma radicalização pelas ruas daqui. Além dessas graves ilações do caso Marielle, que obviamente demandam apuração, também corre em círculos do Judiciário a informação de que a investigação sigilosa envolvendo Carlos Bolsonaro começou a engrossar. O MP do Rio avançou em frentes importantes relativas à contratação de supostos funcionários fantasmas. Quem conhece o assunto diz que há novos veios sendo explorados, e que talvez haja convergências nas apurações já existentes acerca do papel de Fabrício Queiroz, que resolveu mandar recados acerca de seu isolamento financeiro e político na forma de áudios vazados com indiscrições envolvendo o presidente e seu último empregador no clã, o hoje senador Flávio.” (Folha)

Em Brasília, deputados aliados ao governo já haviam recebido explicações sobre o depoimento do porteiro. Foram informados, também, de que a vigilância no condomínio do presidente é pesada, de acordo com o Painel. (Folha)

O fato de ter sido mencionado o nome do presidente pode levar o caso para o Supremo. Dependem, porém, de a Procuradoria-Geral da República abrir uma investigação contra o presidente. Ao menos por enquanto, os ministros avaliam a menção com cautela, segundo o Radar. O vídeo publicado no fim de semana no Twitter de Bolsonaro, em que compara o STF a hienas, não poderia ter aparecido em pior hora para o Planalto. (Veja)

Leia: As notas de resposta do governador Wilson Witzel e da TV Globo.

Fonte: Meio

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