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Bolsonaro precipita racha dentro do PSL


Quando saía ontem do Palácio do Alvorada e deu sua parada matinal típica, para conversar com o povo em volta e alguns jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro foi flagrado numa inconfidência. Um de seus apoiadores pediu para gravar um vídeo. “Sou do Recife, pré-candidato do PSL”, falou o rapaz. Bolsonaro então lhe disse ao pé do ouvido — “Esquece o PSL.” Sem se atentar, o rapaz gravou “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”, referindo-se ao presidente do Partido Social Liberal, Luciano Bivar. O presidente se incomodou. “Não divulga isso não, cara. O cara está queimado pra caramba, lá. Esquece esse cara, esquece o partido.” Bivar é investigado na Procuradoria Regional Eleitoral de Pernambuco por suspeitas de caixa dois. Toda a cena foi registrada e transmitida ao vivo pelo Cafezinho com Pimenta, um canal de YouTube. E a crise se armou. (Poder 360)

“Como você fala do quintal alheio se o seu quintal está sujo?”, indagou na Câmara o líder do partido, Delegado Waldir. “As candidaturas em Minas Gerais e Pernambuco estão sendo investigadas, mas o filho do presidente também. Bolsonaro não está algemado no PSL, não. Aqui não tem ninguém amarrado.” Pelas regras, candidatos a cargos majoritários — presidente, governadores e senadores — podem mudar de partido quando desejarem. Para deputados é que as regras são mais rígidas. Podem mudar se expulsos ou se, no caso de fusão de legendas, eles não gostarem. (Época)

Bivar já está sendo pressionado a mudar os comandos da legenda nos municípios, conta Daniela Lima. Afeta diretamente a Flávio Bolsonaro, que manda no Rio, e seu irmão Eduardo, que controla São Paulo. “Temos o caso do Queiroz e o do ministro do Turismo e o presidente tenta encobrir esses dois assuntos ao mesmo tempo em que desfere ataques ao PSL”, afirmou Júnior Bozella, deputado paulista da legenda. “Acredito no presidente, apoio sua agenda, mas o partido não pode deixar de advertir aqueles que vão contra as bandeiras que nos elegeram, como o combate à corrupção.” Foi uma questão de horas para que pesselistas levantassem Flávio, Queiroz e sugerissem que o presidente está acobertando casos. (Folha)

Mas há quem celebre. O deputado Bibo Nunes quer trazer o presidente para o Patriota. “O Bivar é muito preocupado com dinheiro”, disse à coluna de Guilherme Amado. “O Bolsonaro não dá bola para dinheiro.” (Época)

Não é só ele. Refundador da UDN, que está em fase de criação no Tribunal Superior Eleitoral, Marcus Alves também quer a família presidencial. “Só falta homologar os diretórios de alguns estados.” (Estadão)

Há outro caminho possível. Aliados de Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, estão terminando o estatuto de um novo partido que seria batizado Conservadores. Teria por premissas o programa do atual presidente — defesa da ‘moralidade cristã ocidental’, vida a partir da concepção, direito à legítima defesa pessoal, combate à ‘ideologia de gênero’. O documento proíbe alianças com legendas do que chamam ‘esquerda bolivariana’. A desvantagem é que seria um caminho mais lento. (Globo)

De acordo com Bruno Boghossian, mais de 30 deputados estão dispostos a seguir a família para outra legenda. (Folha)

Bernardo Mello Franco: “Por trás das escaramuças, trava-se uma disputa pelo controle de R$ 737 milhões. Este é o valor que a legenda deverá receber dos cofres públicos até 2022. A conta ainda pode engordar caso os parlamentares aprovem o sonhado aumento no fundo eleitoral. Até o ano passado, o PSL passava despercebido. Ao anunciar a filiação, Bolsonaro deixou claro que fazia um acordo de interesses. Como acontece em muitas famílias, o aumento do patrimônio precipitou o desgaste da relação. Bolsonaro valorizou a casa, mas não conseguiu tomar a chave do cofre. Agora ele tentará negociar a partilha de bens antes de decidir se assina o divórcio.” (Globo)

Fonte: Meio

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