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Bolsonarismo cinde em dois


A primeira edição brasileira do CPAC, o congresso conservador americano criado em 1973, na esteira da renúncia do então presidente Richard Nixon, ocorreu entre sexta e sábado no Hotel Transamerica, de São Paulo, e serviu de veículo para que o deputado federal Eduardo Bolsonaro fosse indicado como sucessor político do pai. Nenhum de seus dois irmãos políticos, tampouco o próprio presidente Jair Bolsonaro, foram, observa o jornalista Fábio Zanini, que vem se especializando na cobertura da nova direita. Mas estavam lá os principais influenciadores de mídias sociais do núcleo bolsonarista, assim como os ministros mais alinhados com seu discurso — o chanceler Ernesto Araújo, Damares Alves (Direitos Humanos), Abraham Weintraub (Educação) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O filho zero três, porém, foi a estrela. Serviu de mestre de cerimônias, foi chamado em coro de ‘mitinho’, distribuiu autógrafos e bateu inúmeras selfies. (Folha)

O tom geral dos discursos foi de ataque à esquerda, deslegitimização de todos os opositores. “Não podemos subestimar o cão”, afirmou a ministra Damares Alves. “Diferentemente de nós, que temos como motivação a fraternidade, a paz, a prosperidade, as famílias seguras, eles têm outras motivações. E uma delas é encher o bolso de dinheiro.” Seu colega da Educação foi além, conta Rafael Cariello. “Você não morre de Aids, você morre de tuberculose. Você tem a doença oportunista, e você tem a Aids. Ninguém começa no crack, você começa na maconha. Quem abriu a porta para o Lula entrar foi o Fernando Henrique.” (Piauí)

O clima de festa não disfarçou que há uma crise instalada nesta nova direita. Bolsonaro — o pai — pediu formalmente uma auditoria das contas de seu partido, o PSL. O presidente está em guerra declarada com Luciano Bivar, que comanda a legenda. Só em 2019, o PSL deverá receber R$ 110 milhões do fundo partidário e é Bivar quem controla o dinheiro. Em resposta, o partido afirmou que pedirá também sua auditoria — mas das contas da campanha que elegeu Bolsonaro para o Planalto. (G1)

Não ficou só nisso. Um grupo de deputados do PSL quer auditar também, de acordo com o Painel, os gastos com o CPAC, que foi paga com recursos do fundo partidário e, segundo eles, custou mais de R$ 1 milhão. A conferência foi organizada pelo deputado celebrado Eduardo Bolsonaro. (Folha)

O racha ocorre também na base midiática do governo. Inúmeros influenciadores digitais conservadores vêm se afastando dos governistas. Um deles, o jornalista Felipe Moura Brasil, diretor da Jovem Pan, publicou na Crusoé de sexta-feira uma longa reportagem sobre a ação da milícia virtual bolsonarista. Ele acusa um grupo, que seria liderado pelo assessor do presidente Filipe Martins e teria entre seus membros o blogueiro Allan dos Santos e o youtubber Bernardo Kuster, de se organizar via WhatsApp para ataques a pessoas específicas. Foi o caso, por exemplo, do ministro derrubado Carlos Alberto dos Santos Cruz. Moura Brasil os chama de ‘blogueiros de crachá’, já que muitos têm cargos na máquina pública. (Crusoé)

E... Enquanto Eduardo estava sob os holofotes da CPAC, seu irmão Carlos batia boca com o líder do PSL no Senado, Major Olímpio, via Twitter. “No hospital, após a facada, o tal Major Olímpio chorou em frente a meu pai, que me determinou foco primordial na eleição do tal. Hoje, este senhor diz absurdos sobre o trabalho que exerço”, se queixou Carlos. “És um bobo da corte!” O senador respondeu. “É compreensível a sua baixaria e desespero em defesa do seu irmão”, comentou, se referindo ao zero um, Flávio, envolvido no caso da rachadinha. O bolsonarismo cindiu em dois. (Twitter)

Fonte: Meio

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