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Johnson sofre derrota grande e futuro do Reino Unido é incerto


No momento mais dramático da votação na Câmara dos Comuns, ontem, o deputado conservador Phillip Lee levantou-se de onde estava enquanto o premiê Boris Johnson discursava. Atravessou então o tapete verde da Casa para encontrar assento do outro lado, entre os Liberais Democratas. Sinalizava ali, à moda britânica, estar mudando de partido. Naquele instante, Johnson gaguejou e assim perdeu sua maioria de um único voto. Foi um dia ruim para ele. Pela primeira vez como chefe de Governo testemunhou uma votação parlamentar. E, de cara, perdeu. Por 328 votos a 301, pois até alguns conservadores se voltaram contra, o Parlamento tirou do governo o direito de pautar a sessão. O plano é, talvez já amanhã, apresentar um projeto de lei que negue a Johnson o direito de deixar a União Europeia sem ter feito com Genebra um acordo para mitigar os efeitos. Johnson não quer que Irlanda e Irlanda do Norte mantenham uma fronteira aberta. Os irlandeses britânicos querem. No impasse, o premiê não abre qual seria a alternativa. “Não há consentimento desta Casa para que deixemos a União Europeia sem algum acordo”, afirmou o líder trabalhista, Jeremy Corbyn. “Quando o primeiro ministro tiver uma política para o Brexit, ele deve apresenta-la ao Parlamento para que tenhamos uma votação pública.” (New York Times)

Vídeo: O instante em que Lee mudou de partido.

Ironia do destino, ao deixar ontem o Parlamento, a ex-premiê derrotada por Johnson, Theresa May, sorria. (Guardian)

Um balanço das pesquisas recentes indica que 46% dos britânicos votariam, hoje, para se manter na UE. 41% querem sair. Há 14% que diz não saber.

Sem permissão, Johnson aposta que sua melhor saída é uma nova eleição, que recomponha o Parlamento, e lhe garanta uma maioria para fazer o Brexit. Corbyn é impopular, e o premiê conta com este aspecto no pleito. Mas, à direita, o Partido Brexit recém-formado pode tirar dos seus Conservadores votos. E, na direção do Centro, os Liberais Democratas podem crescer mesmo que os Trabalhistas diminuam em tamanho. Não é absurdo o cenário no qual o Parlamento rache ao meio ao fim da eleição. Até porque mesmo entre os brexiters há dissenso. Uns, ultraliberais, querem implantar o modelo de Cingapura — baixos impostos para empresas, sindicatos fracos, pouca regulamentação e muitos trabalhadores estrangeiros com vistos temporários. Outros, conservadores, defendem aumento de impostos para ricos, investimento em repressão ao crime, e mais rigor com a entrada de imigrantes. Johnson não deixa claro qual visão Reino Unido endossa pós-UE. (Atlantic)

George Parker, editor de Política: “Assessores do primeiro-ministro acreditam que os Conservadores esmagariam Corbyn numa eleição. Embora as pesquisas de opinião revelem que ele de fato conquistaria algumas cadeiras trabalhistas no interior, onde o voto para deixar a UE é forte, os Conservadores podem perder suas 13 cadeiras na Escócia, que é favorável à UE, assim como podem perder no Sul para os Liberais Democratas, enquanto os Trabalhistas seguem fortes em grandes centros urbanos, incluindo Londres. Uma eleição seria muito incerta.” (Financial Times)

Por: Meio

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