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Declaração de Carlos Bolsonaro provoca reações de todos os campos


A ficha demorou um dia para cair. O presidente em exercício Hamilton Mourão afirmou que, sem democracia, Bolsonaro não teria chegado ao Planalto. “Democracia é fundamental”, afirmou, “são pilares da civilização ocidental.” Ele respondia aos jornalistas que cobraram uma reação ao tuíte do vereador Carlos Bolsonaro que, segunda-feira, afirmou “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer.” Mourão não deu conversa. “Temos que negociar com a rapaziada do outro lado da Praça”, lembrou, referindo-se ao Congresso. Mas evitou críticas diretas a Carlos. “Isso é problema dele, pergunte a ele.” Auxiliares do presidente dizem que Carlos não escreve nada sem informar ao pai. Questionado, o porta-voz Otávio do Rêgo Barros foi evasivo. “Acredito que o vereador tenha conversado sim com o presidente”, informou, sem garantir que o tuíte tenha sido tema. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi evasivo. “No Senado, a democracia está fortalecida, então uma manifestação em relação ao seu enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo. E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi o mais direto, assim como pragmático. “Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança dos empresários de investir no Brasil. A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre.” Mas o deputado Eduardo Bolsonaro, talvez futuro embaixador, saiu em defesa do irmão. “As coisas em uma democracia demoram porque exigem debate, ele falou só isso.” (Estadão)

No Twitter, Carlos bateu na mesma tecla do irmão caçula. “ O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS!”

Em entrevista à jornalista Constança Rezende, o ex-ministro Gustavo Bebianno, que antes de cair gozou por alguns anos da confiança da família presidencial, sugeriu uma hipótese. “Cabe perguntar ao vereador e ao presidente, pois mantém perfeita simbiose, se essa manifestação seria um balão de ensaio, um teste.” Nos bastidores circula a tese de que os Bolsonaro usam as redes, frequentemente, para medir a temperatura de autoridades e de seus militantes a respeito de decisões que possam vir a tomar. (UOL)

Vera Magalhães: “O vereador Carlos Bolsonaro fez a manifestação mais explícita até aqui de flerte com a supressão da democracia. Ao transferir para os adversários e para as instituições a fatura da insatisfação da sociedade — que vão da demora na recuperação econômica à justa indignação com a corrupção —, o grupo que se autodesigna como ala ‘antiestablishment’ do governo ao mesmo tempo faz uma cortina de fumaça para decisões impopulares do presidente e fomenta um ambiente em que teses golpistas vicejam. A despeito do discurso do filho, são decisões do presidente que atrasam uma das ‘transformações’ prometidas, a do combate à corrupção. Uma vez empossado, Bolsonaro se pôs paulatina, mas sistematicamente, a minar Sérgio Moro. Se de um lado testa a tese de um fast-track na democracia para animar sua tropa, que estava dispersa, de outro o bolsonarismo age dia a dia no sentido oposto ao que levou boa parte do eleitorado a optar por ele. Dois cavalos de pau simultâneos. Aqueles que passam pano dizendo que ao menos a orientação econômica vai no rumo certo ignoram que não há confiança possível num país que flerta com teses autoritárias, quando não abertamente golpistas.” (Estadão)

Por: Meio

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