Anuncie

Anuncie

Do Planalto ao Supremo, um dia de crise para Moro


A quinta-feira não foi um dia fácil para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Seu pacote anticrime, que já vinha sendo paulatinamente desidratado pelo Congresso, foi colocado na geladeira por ninguém menos que o presidente Jair Bolsonaro. Segundo este, com a reforma da Previdência já no Senado, a prioridade do governo é tocar a reforma tributária, o que jogaria o pacote do ministro para as calendas gregas. “O Moro está vindo de um meio onde ele decidia com uma caneta na mão. Agora, não temos como decidir de forma unilateral”, disse Bolsonaro. “Entendo a angústia dele, de querer que o projeto vá para frente, mas nós temos que fazer o Brasil andar.” Para diminuir o desconforto, ele levou Moro para sua tradicional livenas redes sociais. (Estadão)

Depois, Moro precisou se explicar ao ministro Luiz Fux, do STF, negando ter mandado destruir provas obtidas com hackers que invadiram celulares de autoridades. A intenção de Moro havia sido revelada pelo presidente do STJ, João Otávio Noronha. A Fux, o ministro da Justiça diz que houve um “mal-entendido”. (Folha)

Para completar, comprou briga com a OAB ao pedir que a PGR investigue o presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz, por suposto crime de calúnia. Em entrevista, Santa Cruz, cujo pai foi morto durante a ditadura, disse que Moro “banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”.

Vera Magalhães: “De ministro ‘indemissível’ e candidato – com direito a anúncio público – à ‘primeira vaga’ que houvesse no Supremo Tribunal Federal, Sérgio Moro passou a ser alvo das famosas ‘caneladas’ de Jair Bolsonaro, seja em declarações públicas, em críticas reservadas ou mesmo em ações para enfraquecê-lo. Acontece que Moro precisa ficar no cargo, uma vez que abriu mão da magistratura e o STF é, cada vez mais, um sonho distante. (Estadão)

Bela Megale: “A relação entre Bolsonaro e Moro passa pelo seu momento mais delicado, com direito a críticas feitas pelo presidente ao seu ministro em reuniões mais reservadas, segundo interlocutores do Planalto. Mesmo assim, Bolsonaro não cogita afastar o ex-juiz do comando da pasta da Justiça. Por outro lado, Moro também já confidenciou a pessoas próximas certo desconforto com algumas posições do governo, mas evitou tecer críticas diretas a Bolsonaro.” (Globo)

Por: Meio

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.