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Boris Johnson se move para calar Parlamento


O premiê britânico Boris Johnson pediu ontem à rainha que prorrogasse o Parlamento entre 9 de setembro e 14 de outubro. Em essência, o movimento suspende as sessões nas quais os deputados se reuniriam neste período. Johnson alega que é para organizar seu governo. O motivo é outro: quer impedir que os parlamentares aprovem uma lei que proíba a saída do Reino Unido da União Europeia sem algum tipo de acordo que garanta, ao menos, que a fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte continue a operar com livre comércio. Johnson quer evitar que a Câmara dos Comuns interfira com seus planos. (BBC)

Da última vez em que aconteceu por um período tão longo foi em 1945 — a vitória militar na Europa já estava garantida, ainda faltava aquela no Japão, e os britânicos ansiavam por um novo governo sem o perfil militar de Winston Churchill. (Wikipedia)

De presto tomou corpo uma revolta. O Speaker of the House, parlamentar cuja missão é manter o diálogo entre as facções fluido, fez um raro comentário político. “Este movimento é uma aberração constitucional”, afirmou John Bercow. “É evidente que o objetivo é impedir o debate parlamentar sobre o Brexit.” Líder do principal partido de oposição, o Trabalhista, Jeremy Corbyn afirmou que o gesto “nega aos eleitores a oportunidade de ter seus representantes questionando o governo”. A repulsa também está no Partido Conservador de Johnson. “É uma aberração constitucional”, tuitou Philip Hammond, que foi ministro da Fazenda no gabinete Theresa May. Utilizou a mesma expressão que o Speaker — outrage. Um abaixo-assinado aberto online já recolheu 1,3 milhão de assinaturas. (Guardian)

O sisudo diário Financial Times publicou, nas horas seguintes, um editorial pedindo que o Parlamento derrube o premiê e convoque novas eleições. “Boris Johnson detonou uma bomba no aparato constitucional do Reino Unido. O pedido do primeiro-ministro à rainha não tem precedentes modernos. É uma tentativa intolerável de silenciar o Parlamento até o ponto em que ele não possa mais evitar a desastrosa saída do UK da União Europeia. Ao assento da democracia britânica, há muito admirada em todo o mundo, está sendo negada a palavra na decisão mais consequente que o país encara em mais de quatro décadas. É hora de os parlamentares derrubarem o governo com um voto de não-confiança, abrindo caminho para eleições nas quais a população possa manifestar seu desejo. A história mostra que charlatães, demagogos e os que desejam ser ditadores não têm tempo para governo representativo. Buscam caminhos para driblar o Parlamento por o considerarem uma inconveniência. Mr. Johnson pode não ser um tirano, mas está abrindo um precedente perigoso. Ele e os conspiradores ao seu redor que escolheram o caminho revolucionário deveriam ter cuidado com o que desejam.” (Financial Times)

Fonte: Meio

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