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Todo comando da República foi hackeado


O ministro da Justiça, Sergio Moro, passou um bom tempo ao telefone, ontem, informando a autoridades que o grupo de hackers preso na terça-feira havia ganho algum tipo de acesso a seus celulares. E a lista é longa. Começa com alguns aparelhos do presidente Jair Bolsonaro, passa pelos dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, uns tantos deputados e senadores, alguns ministros do Supremo, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pelo menos 24 integrantes do MPF, e daí vai. Os quatro de Araraquara tiveram acesso às mensagens de Telegram do comando da República. Quem tinha mensagens possivelmente as teve violadas. “Não estou nem um pouco preocupado se, por ventura, algo vazar do meu telefone”, afirmou Bolsonaro a um grupo de jornalistas. “Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas, essas não são passadas via telefone.” De acordo com o ministro Onyx Lorenzoni, boa parte da comunicação entre Bolsonaro e auxiliares é feita via WhatsApp, que não é vulnerável a este hack. (G1)

À jornalista Vera Magalhães, Maia se queixou de a PF ter divulgado a lista de quem foi hackeado. (BR18)

Ao ministro João Otávio de Noronha, Moro contou que o plano era destruir as mensagens. “Não tem outra saída”, comentou o presidente do STJ. “É isso que tem de ocorrer.” Mas não tão rápido. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, fez de presto uma ressalva à Mônica Bergamo. “Cabe ao Judiciário decidir isso, e não à Polícia Federal.” O caso, que está nas mãos do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, ainda está no início e a PF não pode destruir provas. (Folha)

Em seu depoimento prestado ontem, Walter Delgatti Neto afirmou à PF ter sido a fonte do jornalista Glenn Greenwald. De acordo com ele, todos seus contatos foram virtuais, pelo Telegram, e ocorreram após os ataques já terem acontecido. Delgatti diz que fez tudo de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira. (Folha)

Em uma série de tweets, o cofundador do Intercept, Glenn Greenwald, se mostrou ambíguo a respeito de Delgatti. Em um, comentando a afirmação do suspeito de que teria passado as mensagens de forma anônima e sem custo, apontou: “Como sempre falamos”. Noutro, citando a intenção por parte de Moro de destruir as mensagens encontradas com os presos, inquiriu. “Como isso não é suspeito?” Ao mesmo tempo, voltou para cima do muro. “Para ser claro, não estou afirmando que a pessoa acusada pela PF é de fato nossa fonte. Nós não comentamos sobre nossas fontes.”

Nem tudo está esclarecido. Embora Delgatti já tenha confessado muito, para a PF ainda não está clara a relação entre ele e os outros três suspeitos. Além deles, ainda há outras seis pessoas que podem estar envolvidas. Seus nomes estão vinculados ao sistema BRVOZ do qual partiram os ataques. E há o mistério dos mais de R$ 600 mil movimentados entre abril e junho por Gustavo Henrique Elias dos Santos, o DJ preso, que diz ser, como sua mulher Suelen Priscila de Oliveira, inocente. A polícia ainda não tem certeza sobre se há ou não um mandante. (Globo)

Pedro Doria: “O ministro Sergio Moro foi ontem ao Twitter para afirmar que ninguém sofreu um hack por falta de cautela. ‘Não havia sistema de proteção hábil’, ele escreveu. Havia, sim. Autenticação em duas etapas, ou, na sigla em inglês, 2FA. É chatinho, mas não é difícil. É a inacreditável ingenuidade digital das autoridades públicas. Se no início pareceram hackers sofisticados, conforme foi-se avançando percebeu-se que, ora, eram hackers de Araraquara. Um estelionatário de terceira do interior paulista tomou de assalto a comunicação da República. Vamos mal.” (Estadão ou Globo)

Por: Meio

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