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Dodge deve se manifestar em favor da Lava Jato numa PGR dividida


A Procuradora Geral da República Raquel Dodge receberá, hoje, o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. O objetivo é discutir o impacto dos vazamentos que vêm ocorrendo até agora. Ao final, ela deve fazer uma manifestação pública a favor da operação. (Folha)

Só que nem tudo é paz no seu arredor. O coordenador da Lava Jato dentro da PGR, José Alfredo de Paula, pediu exoneração do cargo. Ele, que é um dos principais auxiliares de Dodge, fica até sexta-feira. Está irritado com a lentidão imposta por ela às investigações. A delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, está assinada, porém não sai do gabinete desde janeiro e não pode ser homologada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo. A delação atinge políticos e membros do Judiciário. Mas Dodge quer ser reencaminhada ao cargo — e depende de alguns destes políticos. (Globo)

Então... Mais um vazamento indica como o procurador Deltan Dallagnol lidava com a fama adquirida. Da Federação das Indústrias do Ceará, exigiu que lhe custeasse passagem e hospedagem para toda família no Beach Park, além de cobrar por volta de R$ 30 mil, por uma palestra sobre combate à corrupção, em 2017. Depois incentivou o então juiz Sérgio Moro a aceitar também um convite da entidade. “Pedi pra pagarem passagens pra mim e família e estadia no Beach Park”, ele escreveu no Telegram. “Além disso, eles pagaram um valor significativo.” Com Moro, Deltan também celebrou que o Conselho Nacional do Ministério Público arquivou os questionamentos sobre suas palestras. “As duas corregedorias”, afirmou, “arquivaram os questionamentos sobre minhas palestras dizendo que são plenamente regulares.” (Folha)

A PGR está dividida. Dodge pode receber Dallagnol, hoje. Mas, ontem, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão lançou nota pública defendendo a Vaza Jato. De acordo com o texto, a ilegalidade da obtenção das mensagens não é obstáculo para sua publicação pela imprensa. “A vedação constitucional à censura e o regime de proteção à liberdade de informação”, segue, “tornam ilícita qualquer tentativa de represália aos meios de comunicação que participam das publicações.” Para a procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, no limite uma represália aos jornalistas por parte do Estado pode configurar crime. Por isso, se há investigação de jornalistas do Intercept, é obrigação informar. Em PDF.

Este é um debate com fim próximo. O jogo de gato e rato que o Coaf vem tocando para evitar responder se o jornalista Glenn Greenwald está sendo investigado a pedidos da Polícia Federal está para acabar. O presidente do Supremo, José Antonio Dias Toffoli, requereu ao Ministério da Economia que informe se o conselho trabalha no caso e, ao Ministério da Justiça, que a PF comunique se fez algum pedido. O prazo é de cinco dias. (UOL)

Aliás... Segundo Mônica Bergamo, no Twitter, o Intercept recebeu informação de que a Polícia Federal deve prender um suspeito de ser o hacker da Vaza Jato esta semana.

Enquanto isso... O ex-procurador italiano Gherardo Colombo, um dos responsáveis pela operação Mãos Limpas, se mostrou desconfortável com a proximidade entre o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. Em entrevista ao repórter Vinicius Konchinski, Colombo argumentou que, como sua versão brasileira, a Mãos Limpas também foi acusada de abuso das prisões temporárias e delações premiadas, assim como de manipular a imprensa. Mas de proximidade entre procuradores e juiz, não. “Um juiz só pode se comunicar com um procurador formalmente”, ele afirmou, “por meio de documentos oficiais.” Para ele, uma diferença marcante na estrutura da Justiça italiana facilita este processo. Lá, um juiz é responsável pela instrução do caso — é quem autoriza mandados de busca e apreensão, assim como prisões. Quem julga, porém, é outro. No sistema brasileiro, o mesmo juiz faz os dois papeis. “Se as regras sobre imparcialidade não são seguidas, a Justiça não pode ser justa”, disse. “Dois juízes diferentes garantem maior imparcialidade.” (UOL)

Por: Meio

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