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Moro pediu ajuda a MP para evitar conflito com STF


Em 22 de março, 2016, a Polícia Federal anexou por descuido documentos apreendidos na casa de um executivo da Odebrecht aos autos do processo da Lava Jato sem preservar sigilo. O conteúdo foi logo publicado pela imprensa, o que deixou o então juiz Sérgio Moro apreensivo. Ele havia acabado de receber uma bronca pública do ministro Teori Zavascki, do STF, por ter divulgado a conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex, Lula. “Tremenda bola nas costas da PF”, ele se queixou com o procurador Deltan Dallagnol. “Vai parecer afronta.” Dallagnol passou a queixa a Márcio Anselmo, o delegado responsável. “Moro está chateado”, afirmou, “vai apanhar mais do STF.” A percepção do Supremo andava angustiando o juiz por aqueles dias. Ele temia que a Corte desmembrasse os inquéritos sob seu comando, em Curitiba, tirando o controle das investigações a respeito da Odebrecht. Quando o MBL fez um protesto na frente da casa de Zavascki, ele tornou ao procurador. “Não sei se vcs têm algum contato, mas alguns tontos daquele Movimento Brasil Livre foram fazer protesto na frente do condomínio do ministro”, escreveu via Telegram. “Isso não ajuda, evidentemente.” O MPF não tinha contato. (Folha)

O momento foi divulgado domingo como manchete da Folha de S. Paulo que anunciou parceria com o Intercept Brasil para também publicar mensagens a partir das trocas de mensagens vazadas da Lava Jato. O jornal entrou um pouco mais em detalhes a respeito de como buscou indícios sobre adulteração do vazamento. Seus repórteres procuraram mensagens que haviam trocado com integrantes da Força Tarefa — e as encontraram. (Folha)

Moro pediu desculpas ao MBL, enviando áudio. “Sempre respeitei o Movimento Brasil Livre, sempre agradeci o apoio”, disse. “Consta ali um termo que não sei se usei mesmo, acredito que não, pode ter sido adulterado, mas queria assim pedir minhas escusas, se eu eventualmente utilizei.” (Estadão)

No Supremo, alguns ministros viram nos diálogos indícios de que Moro e os procuradores manipularam o timing para retardar a chegada de informações sensíveis à Corte. (Folha)

A Segunda Turma do Supremo retoma amanhã, terça-feira, o julgamento de um pedido da Defesa de Lula. Os advogados alegam que a ida de Moro ao ministério da Justiça revela parcialidade e, portanto, pedem que seja apontada a suspeição. Já votaram dois, Edson Fachin e Cármen Lúcia. Ambos contra. Faltam Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. (G1)

Elio Gaspari: “Num ponto Moro tem alguma razão: o site Intercept Brasil deveria divulgar todo o acervo de grampos que amealhou. A divulgação parcial e seletiva dos grampos, acompanhada por insinuações ameaçadoras do repórter Glenn Greenwald, é um feitiço que pode se virar contra o feiticeiro. Antes da internet era comum que revelações jornalísticas fossem expostas em séries, mas Greenwald vem fazendo bem outra coisa. Promete isso ou aquilo, às vezes em tom de vaga ameaça. A divulgação de denúncias num regime de conta-gotas foi uma das piores táticas dos procuradores da Lava-Jato. Em 1971, quando o New York Times e o Washington Postpublicaram os documentos do Pentágono, submeteram seus critérios editoriais ao juízo do público. Conhecido todo o papelório, viu-se que trabalharam direito.” (Globo ou Folha)

Por: Meio

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