BFS19

Anuncie

Anuncie

Governo tenta se resolver com preço do diesel


O presidente Jair Bolsonaro se reúne hoje com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e das Minas e Energia, Bento Albuquerque. Acompanharão os dois os presidentes da Petrobras, Roberto Castello Branco, e do BNDES, Joaquim Levy. Na pauta: como resolver o problema criado na semana passada para baixar o preço do diesel. A intervenção repentina do presidente na Petrobras derrubou o valor de mercado da empresa em R$ 32 bilhões. Uma das possibilidades seria repetir a fórmula adotada pelo governo Temer, de criar uma subvenção temporária no valor do combustível. No ano passado, o Tesouro Nacional bancou R$ 0,30 por litro para poupar o consumidor. Outro método pode ser um corte de impostos — o preço para a Petrobras segue o mesmo, flutuando com o mercado internacional, mas com menos tributos o valor real cai na bomba. O receio do governo federal é com a ameaça de uma nova greve de caminhoneiros. (Folha)

Merval Pereira: “O episódio da intervenção de Bolsonaro revogando o aumento do diesel determinado pela Petrobras é apenas um dos vários que revelam o desconforto do presidente com o perfil liberal na economia com que se travestiu para ganhar a eleição. A presença do economista Paulo Guedes na sua equipe, com plenos poderes para decidir qualquer coisa na área que o presidente declaradamente ignora, deu a um grupo importante de eleitores a certeza de que, elegendo Bolsonaro, não estavam elegendo apenas aquele deputado tosco e radical do baixo clero. Foi Guedes quem garantiu a Bolsonaro deixar de ser um tipo de candidato como o Cabo Daciolo para reunir em torno de si não apenas radicais de direita, mas também uma classe média que aspira a uma ascensão social, e empresários e investidores que sentiam firmeza na presumível influência do economista liberal sobre o capitão. Ledo engano. No fundo da alma Bolsonaro não mudou a maneira de pensar, apenas adaptou-se às necessidades eleitorais do momento. Não é por acaso que ele volta e meia repete que gostaria de não ter que fazer a reforma da Previdência. Como não entende nada de economia, faz raciocínios simplistas que parecem corretos a setores da população que acham possível ter combustíveis baratos num mercado globalizado em que a competição é em dólar. Esses são movimentos que revelam uma mentalidade estatizante adormecida, mas não vencida, e não sinaliza um governo liberal, e sim um que aproxima os ares retrógrados que dominam áreas importantes como as Relações Exteriores, o Meio-Ambiente, a Educação, a um possível retrocesso também econômico.” (Globo)
 
Por: Meio

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.