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Entrevista de Lula acentua divisão da esquerda


A entrevista concedida na última sexta-feira pelo ex-presidente Lula acentuou o racha na esquerda. A avaliação de dirigentes tanto de PSB quanto de PDT é de que o líder petista, ao manter um discurso de hegemonia do PT no campo progressista, fugiu a uma autocrítica que, sem reconhecer a perda de espaço da legenda, manteve o tom que inviabiliza aliança. (Folha)

Autorizados pelo Supremo, os repórteres Mônica Bergamo, da Folha, e Florestan Fernandes Jr, do El País, entrevistaram o ex-presidente em uma sala na Polícia Federal, em Curitiba. Lula se emocionou a falar do neto, e defendeu sua inocência. “O país está governado por esse bando de maluco”, afirmou. As íntegras estão nos links, com vídeo.

Reinaldo Azevedo: “Goste-se ou não de Lula, o fato é que ele tem no sangue, nos gestos, no olhar, na linguagem, nos esgares, o prazer da política. Falar sobre o assunto, como se viu na entrevista, o revigora. E, nesse particular, ele é o oposto de Jair Bolsonaro. Erre ou acerte, o petista é dono de uma fala caudalosa, que remete a vivências várias — dos palácios e das ruas —, articulando memórias, conectando-as com ideias que estão por aí, em trânsito e em choque. Louvem-se, assim, de saída, a sua resiliência. Poucos suportariam com tanta dignidade o reverso da fortuna. Contrasto aquele que chegou a ser tratado quase como um imperador absolutista com o presidiário de agora, recolhido a uma cela em absoluta solidão, vendo o mundo pelo noticiário de TV, preenchendo as suas horas, como disse, com filmes que lhe passam em pen drives, longe da verdadeira cachaça de que é dependente: não é a pinga, mas a política. Em dois anos, viu morrer a mulher, o irmão de que era mais próximo, e, supremo sofrimento, o neto Arthur, de apenas sete anos. Já vi gente se debulhar em lágrimas de autocomiseração por muito menos, não conseguindo suportar com altivez revezes muito mais brandos. Lula, e qualquer especialista em saúde mental certamente poderá atestá-lo, está inteiro.” (UOL)

Josias de Souza: “Essa primeira entrevista do ex-presidente revela que o encarceramento de mais de um ano não propiciou nenhum ensinamento à divindade do PT. Pior: o isolamento provocou em Lula um surto de amnésia. O presidiário declarou que o Brasil é governado por ‘um bando de maluco’. E sugeriu que, depois da eleição de Jair Bolsonaro, a elite brasileira deveria fazer uma autocrítica. As declarações soaram incompletas e cínicas. Esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que a maluquice resultou de uma reação da sociedade brasileira contra o bando de ladrões que a Lava Jato identificou nas administrações petistas.” (UOL)

Por: Meio

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