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Ataque de Bolsonaro ao IBGE põe Brasília em alerta


Após ter criticado a metodologia do IBGE para medir desemprego no Brasil em entrevista à TV Record, presidente Jair Bolsonaro voltou ontem ao tema, enquanto visitava Jerusalém. “Quem não procura emprego não é tido como desempregado”, afirmou. “Então, quando há uma pequena melhora, essas pessoas que não estavam procurando, procuram, não acham, aumenta a taxa de desemprego. Não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população.” O aumento de desempregados registrado em fevereiro, que passou de 13 milhões de pessoas, não ocorreu porque havia maior procura. Também aumentou o número de desalentados — aqueles que, sem trabalho, não procuram. São 4,85 milhões. (Globo)

O IBGE se defendeu. “A metodologia adotada segue as recomendações dos organismos internacionais, em especial da Organização Internacional do Trabalho, com o intuito de garantir a comparabilidade com outros países.”

Míriam Leitão: “O Bolsonaro revela mais do que ignorância quando critica o IBGE. É comum governantes não gostarem dos dados negativos, o que os diferencia é que os de mente autoritária querem desmoralizar o órgão que apura a estatística indesejada. Bolsonaro poderia afirmar que não é culpado pelo enorme desemprego do Brasil e que herdou o problema, afinal está no cargo há pouco mais de um trimestre. Em vez de dizer como enfrentará esse desafio, ele prefere brigar com o termômetro. Qual é o objetivo do presidente ao atacar o instituto oficial de estatísticas, que fornece ao país um sem-número de indicadores, em todas as áreas, há mais de 80 anos? Essa sempre foi a tendência de governantes autoritários. Foi o que os Kirchner fizeram com o Indec porque não gostavam da informação de que a inflação estava subindo mês a mês. O IBGE tem sabido resistir às tentativas de intervenção. Há outros temores. O pior perigo agora é que o governo imponha ao IBGE um Censo resumido, como foi sugerido pelo ministro Paulo Guedes recentemente. O Censo é a nave-mãe das estatísticas. Dele o país depende para saber, por exemplo, por que a reforma da Previdência é necessária ou como distribuir os recursos do Fundo de Participação dos Municípios. Se errar no Censo, o Brasil terá um prejuízo que vai durar dez anos.” (Globo)

Por: Meio

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