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Tuíte pornô anima núcleo de convertidos mas desgasta governo


O tuíte escatológico do presidente Jair Bolsonaro rendeu, ontem, o dia todo. E teve complemento: “O que é golden shower?”, perguntou insistindo no tema, se referindo à prática fetichista de urinar sobre um parceiro sexual. Justamente o ato flagrado em seu vídeo anterior. Em conversas com Lauro Jardim, do Globo, três ministros, alguns assessores e dois deputados importantes do PSL demonstraram constrangimento com a compulsividade do presidente em criar problemas para si próprio através das redes. A Pedro Venceslau, do Estadão, o jurista Miguel Reale Jr, responsável pelo pedido de impeachment da presidente Dilma, observou: “O caso se enquadra com falta de decoro, o que pode levar ao impeachment.” Dificilmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aceitaria o pedido. Mas o assunto foi o tópico mais discutido do Twitter no mundo e ganhou as páginas dos principais veículos estrangeiros.

Pois é... De acordo com o monitoramento feito pelo próprio Planalto, a sucessão de tuítes desastrosos está gerando desmobilização da tropa de choque de apoio ao presidente nas redes. (Folha)

Daniela Lima ouviu de aliados que o presidente reconheceu que a postagem “não foi oportuna”. Torcem para que o cuidado com as redes seja reforçado. (Folha)

Não há qualquer indício que date o vídeo ou sugira em que cidade foi registrado. Mas, segundo o BR18, ele foi publicado pela primeira vez na manhã de terça, horas antes de ser replicado pelo presidente. Quem o divulgou foi um usuário do Twitter chamado Edmilson Papo 10 que, entre seus pouco mais de 30 mil seguidores, tem alguns dos principais nomes da neodireita — Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro inclusos.

Aliás... O repórter Sergio Spagnuolo, um dos principais especialistas em jornalismo de dados do país, fez uma análise sobre a relação das contas de Twitter de Jair e Carlos Bolsonaro. O vereador carioca é de longe a pessoa mais retuitada pelo presidente — muito mais do que os outros filhos. Há outros indícios, como a curta distância de tempo entre tuítes de um e do outro, que reforçam a suspeita de que Carlos, ao menos parte das vezes, é o responsável pela conta do pai.

Carlos Alberto Sardenberg: “Está marcado para a próxima semana o primeiro leilão de privatização do governo. Se tudo der certo, serão concedidos à iniciativa privada 12 aeroportos. Pode-se dizer que o sucesso (ou não) do leilão dará sinais sobre a confiança no governo para reequilibrar a economia brasileira. É, portanto, uma pauta importante, que se soma a outros temas cruciais na agenda do governo: Previdência, pacote Moro, formação das comissões e lideranças no Congresso. Enquanto isso, o governo ocupa o Twitter global (ou seria globalista?) com um vídeo pornô. Dizem que Bolsonaro está desviando a atenção da reforma da Previdência, um tema que reduz popularidade, para colocar na pauta temas de agrado de seu público religioso e moralista. Ou seja, ficaria todo mundo discutindo o golden shower enquanto a reforma passava de fininho, o Paulo Guedes vendia uma dúzia de aeroportos e Moro aprovava seu pacote. Não faz o menor sentido. O fato é que o presidente efetivamente se interessa mais e se ocupa mais à vontade de questões como os pecados do carnaval e a posse de armas. Uma reforma dessas, como a tributária, só passa com ação pessoal e convincente do presidente. O presidente se ocupando de pornografia carnavalesca só convence seu próprio público, que não precisa ser convencido disso, mas das reformas e privatizações.” (Globo)

Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira: “O desfile é um recado político para o presidente. Isso daqui é a festa do povo, carnaval é a festa do povo, não o que ele acha que é!”

Por: Meio

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