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Bolsonaro e Maia fazem trégua, por ora


Pela primeira vez em dias, não houve bate-boca, ontem, entre os presidentes da República — Jair Bolsonaro — e da Câmara — Rodrigo Maia. Bolsonaro pegou um avião para Israel, país que visitará, enquanto Maia recebeu, em sua residência oficial, o ministro Sérgio Moro. Na Comissão de Constituição e Justiça, a análise da reforma da Previdência foi destravada com a nomeação do deputado calouro Marcelo Freitas, do PSL mineiro, para relatoria da proposta. Por ser do partido do presidente, o indício é de que há um acordo que envolve o governo. O ministro Paulo Guedes, que cancelara sua participação numa audiência na comissão terça, afirmou que se apresentará na semana que vem. O texto da reforma deve ser votado na CCJ até 17 de abril. (Globo)

Bruno Boghossian: “O aparente armistício entre o Planalto e o Congresso foi assinado com uma ressalva: Jair Bolsonaro não vai mudar. Aliados que negociaram a redução da temperatura avisaram que o presidente continuará com o dedo no gatilho. Integrantes da cozinha do palácio (incluindo a ala militar) e parlamentares que fazem a ponte com o Legislativo foram transparentes. Avisaram aos líderes partidários que há disposição em acalmar os ânimos, mas admitiram que será impossível conter o presidente. Bolsonaro está convencido de que o discurso de oposição às práticas políticas foi o grande motor de sua campanha. Incensado pelo núcleo ideológico do governo, ele deu demonstrações de que não está disposto a abrir mão dessa carta. Para um dirigente partidário, a chance de conciliação permanente ‘é zero’.” (Folha)

Eliane Cantanhêde: “O que parece claro é que Bolsonaro vai sempre governar atacando num dia, recuando no outro, mais preocupado com três ou quatro milhões de bolsonaristas da internet do que com os 200 milhões de brasileiros. Como isso só atrapalha a reforma da Previdência, Maia decidiu deixar o presidente pra lá e articular com quem realmente interessa. Ontem, fez as pazes com Moro e acertou os próximos passos com Paulo Guedes, seu principal parceiro no governo. Funciona mais ou menos assim: todo mundo deixa Bolsonaro brincando com os filhos nas redes e vai tocar a reforma da Previdência, o pacote anticrime e o que mais for importante para o próprio governo e para o país. Guedes, que já deu seu recado — ‘Não tenho apego a cargo’ –, vai fazer o que Bolsonaro se recusa a fazer e o vice Hamilton Mourão já faz naturalmente: abrir as portas do seu gabinete para grupos de parlamentares, de prefeitos, de governadores. Ou seja: ele vai articular apoio político.” (Estadão)

Merval Pereira: “A munição da Câmara de maldades constitucionais para assumir o protagonismo na aprovação do Orçamento está longe de esgotada. Deputados de diversos partidos já estudam, entre outras medidas, retomar os termos de uma emenda constitucional muito mais rigorosa com relação ao orçamento impositivo, que hoje abrange apenas as emendas individuais dos parlamentares. A proposta de 2000, que pode ser ressuscitada, impõe ao governo limites rigorosos para contingenciamento de verbas, exigindo explicações formais ao Congresso. Ou a necessidade de autorização do Congresso para aumentar os gastos além do Orçamento. Há até um mecanismo semelhante ao em vigor nos EUA, de paralisação das atividades dos serviços públicos caso o Congresso não aceite as explicações do governo.” (Globo)

Por: Meio

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