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Bolsonaro: ‘Democracia só existe quando as Forçar Armadas querem’


Em poucos segundos, numa só longa frase, o presidente Jair Bolsonaro criou nova polêmica, ontem, enquanto discursava em cerimônia pelo aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio. “A missão será cumprida ao lado das pessoas de bem”, falou, “daqueles que amam a pátria, que respeitam a família, que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, que amam a democracia e a liberdade.” Aí arrematou: “Democracia e liberdade só existe (sic) quando a sua respectiva (sic) Forças Armadas quer.” A sinalização de que a política externa será ideológica, apesar do discurso afirmar o contrário, foi ignorada. A sugestão de que a democracia só existe por desejo dos militares causou espanto. “Dá um certo desconforto”, comentou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que é aliado do governo. “Foi uma frase mal colocada”, sugeriu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Não foi o que ele quis dizer.”

No Palácio, mais de um partiu para apagar o fogo. Para o vice-presidente, Hamilton Mourão, Bolsonaro quis dizer outra coisa. “Onde as Forças Armadas não estão comprometidas com democracia e liberdade, esses valores morrem.” Mas os desgastes consecutivos já incomodam muitos em seu arredor. “É preciso evitar o esvaziamento da fala presidencial”, disse um auxiliar próximo a Gerson Camarotti. “Quando o chefe do Executivo fala, tem que ter a mensagem principal do governo.” Talvez o jornalista que melhor conheça o Exército seja Roberto Godoy, do Estadão. Ele conversou com alguns dos oito generais que apoiam Bolsonaro. “Conversei com dois deles”, afirmou em vídeo. “As definições que deram para a frase foram impublicáveis.” A insinuação golpista, segundo Godoy, está longe da intenção dos militares. “As Forças Armadas não consideram esta possibilidade. Os militares já estão no poder e chegaram lá pelo voto popular.” O presidente da República se expressa mal, diz o analista, mas está convicto de que é melhor falar sempre de improviso.

À noite, Bolsonaro emendou numa live via Facebook, sentado à mesa, com de um lado o porta-voz general Otávio do Rêgo Barros e, do outro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. Falou da reforma da Previdência, mas foi de forma rápida e, novamente, acenou com desidratar o projeto antes de a negociação com parlamentares começar. A ênfase passou por questões menores. Prometeu acabar com lombadas eletrônicas em estradas — “é impossível viajar sem receber uma multa”; anunciou que pretende retirar exigência de cursos de diversidade e prevenção ao assédio moral para quem concorre a assistente técnico no Banco do Brasil — “olha o nível do aparelhamento que existe”. E, principalmente, metralhou as cadernetas de saúde do adolescente distribuídas pelo governo federal. Se queixou de que há ilustrações dos órgãos sexuais e instruções sobre como usar preservativos para evitar doenças ou gravidez indesejada. Assista à íntegra.

Por: Meio

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