11 fevereiro 2019

No Brasil, a negligência mata



Pelo menos 1.774 pessoas morreram ao longo de 12 anos em tragédias que poderiam ter sido evitadas. Foram desastres de avião, enchentes, desabamentos, naufrágios e diversos outros incidentes que talvez não tivessem ocorrido se regras de segurança e leis tivessem sido cumpridas. Além da negligência de agentes públicos e privados, a impunidade é outra marca dessa estatística. Nenhum dos processos a respeito de tragédias acontecidas desde 2007 resultou em condenação dos responsáveis. “No Brasil, o pessoal empurra com a barriga. Sabe que tem problema, que está errado, mas continua fazendo”, diz especialista em segurança. (Globo)

Chegou a 165 o número de mortos em Brumadinho, devido ao rompimento de uma barragem da Vale. Ainda há 160 desaparecidos. Para advogado especialista em legislação sobre desastres, acidentes desse tipo acontecem em todo o mundo. A diferença é como o poder público lida com a questão. Na avaliação dele, interesses políticos e econômicos estimulam a impunidade. (Estado de Minas)

O Rio de Janeiro estava ainda contando os mortos no temporal de quarta-feira (já são sete) quando uma nova tragédia se abateu sobre a cidade. Dez adolescentes morreram no incêndio do Centro de Treinamentos do Flamengo, em Vargem Grande, na madrugada de sexta. A causa foi um curto-circuito no ar condicionado. Os rapazes, com idades entre 14 e 16 anos, treinavam nas divisões de base e moravam num alojamento improvisado em contêineres. O CT funcionava sem alvará do Corpo de Bombeiros, já havia sido multado 31 vezes e fora interditado pela prefeitura. O clube admitiu que as paredes eram revestidas com poliuretano, o mesmo material da boate Kiss, mas descartou ligação com o incêndio.

Maior ídolo da história rubro-negra, Zico criticou duramente a diretoria. “Quando se é multado 30 vezes, não se pode empurrar o problema com a barriga, esperando mais 20 multas”, disse em entrevista (veja o vídeo).

Por: Meio