14 fevereiro 2019

Família Bolsonaro turbina crise política



Pegando a todos de surpresa, quando deixava o hospital após 18 dias internado, o presidente Jair Bolsonaro decidiu inflamar uma crise política e iniciar o abate do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Pressionado por acusações de que o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu e que Bebianno presidiu durante a campanha, usou candidatas laranja para desviar dinheiro do fundo partidário, o ministro quis mostrar prestígio dizendo ter conversado várias vezes com Bolsonaro por telefone na segunda-feira.

Primeiro Carlos, o filho-vereador que opera as comunicações na internet, usou o Twitter para chamar Bebianno de mentiroso, dizendo que passou o dia ao lado do pai e não aconteceram as conversas alegadas pelo ministro. Para completar, incluiu no tuíte um áudio em que o presidente, com visível impaciência, diz ao ministro que não poderá atende-lo. Bebianno e Carlos brigavam desde a campanha eleitoral pelo comando da comunicação do governo.

Bolsonaro retuitou as postagens do filho, num claro aval aos ataques. Em entrevista à TV Record gravada ainda no hospital, portanto antes dos tuítes, ele disse que, se comprovadas as denúncias, Bebianno teria que “voltar às origens”. Segundo fontes, ele esperava que ministro se demitisse e ficou irritado com o apego deste ao cargo. Bebianno diz que não pede para sair. A situação provocou enorme desconforto na ala militar do governo, há muito incomodada com a atuação dos filhos de Bolsonaro e seus reflexos sobre a Presidência. (Folha)

Segundo apuração da revista Crusoé, Bebianno deve deixar o cargo nas próximas horas.

O ataque de Carlos dividiu os parlamentares do PSL. Uma das estrelas do partido, a deputada Joice Hasselmann (SP), disse que era preciso “tomar cuidado para não fazer puxadinho da Presidência da República dentro de casa para expor um membro do alto escalão do governo dessa forma”. Já Alexandre Frota garantiu que o partido “não passará a mão na cabeça de bandido”. (Folha)

Pelo menos alguns aliados se assustaram com a virulência e rapidez com que os Bolsonaro se voltaram contra o antigo homem de confiança, informa o Painel. (Folha)

Vera Magalhães: “Com 44 dias de mandato, dos quais 15 passou internado, Jair Bolsonaro promoveu ontem um processo de fritura de um ministro que começou pelas redes sociais e tendo o filho como instrumento, evoluiu para uma entrevista à TV e colocou até Sérgio Moro no olho do furacão de uma crise política que preocupa os militares e não se sabe que extensão terá. Caberá aos generais tentar contornar a bagunça. A área de inteligência do governo considera precedente gravíssimo o vazamento de conversas privativas do presidente. Também não aprova a interferência da família na gestão. Ao autorizar a impostura do filho e endossá-la, Bolsonaro mostra que não entende a dimensão republicana do cargo que ocupa.” (Estadão)

Por: Meio