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Ameaças de demissão em massa geram incertezas e sofrimentos


As constantes ameaças de demissão em massa feitas pelo Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, têm tirado o sono dos cerca de 800 empregados da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, estatal responsável pela construção e operação de ferrovias no país, dentre as quais a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e a Ferrovia Norte-Sul (FNS).

A força de trabalho da empresa pública federal é composta por cerca de 380 concursados aprovados no primeiro e único certame promovido pelo órgão, datado de 2012, além de profissionais admitidos antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 e remanescentes da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e do Grupo Executivo de Integração da Política de Transporte (Geipot).

Dentre os concursados, há profissionais de diversos cargos de nível superior e médio convocados e contratados de 2012 a 2016. Muitos deles mudaram de estado, pediram exoneração de outros órgãos públicos ou recusaram-se a assumir cargos para os quais foram aprovados em concurso, tudo para trabalhar na Valec. Agora, em razão da vontade política dos novos governantes, o sonho de ter sido aprovado num concurso público — privilégio de poucos — vem se tornando um pesadelo.

O engenheiro civil Luiz Guilherme Pinto, 30 anos, por exemplo, morava no Rio de Janeiro, onde era empregado concursado da Empresa Municipal de Obras Públicas (EMOP). Uma vez aprovado no concurso da VALEC, foi convocado em janeiro de 2013. Assim, deixou para trás o emprego público que já tinha e a vida que havia construído na capital fluminense. Ele foi lotado no município da Guanambi, na Bahia, de onde acompanha as obras da FIOL.

De 2013 até hoje, muita coisa mudou: Luiz Guilherme se casou e teve uma filha, nascida em Guanambi, hoje com menos de um ano de idade. Para isso, confiando na segurança financeira decorrente do emprego público na Valec, contraiu empréstimos. A esposa, por sua vez pediu exoneração do cargo público que tinha em Minas. Hoje o casal e a criança são dependente da única renda familiar: o salário de Luiz Guilherme. Mas esse pode acabar a qualquer momento.

— Não temos mais certeza do futuro. Estamos preocupados porque não sabemos exatamente se, como e quando vão acontecer as demissões. Assumi compromissos financeiros a longo prazo que hoje não sei se conseguirei honrá-los — desabafou o engenheiro.

Como essa, há outras centenas de histórias. A única certeza que se tem é o sofrimento desses profissionais que um dia apostaram na VALEC e estão correndo o risco de serem dispensados arbitrariamente.

Jornalista responsável: Priscila Tardin (Diretora de Comunicação da Associação dos Empregados Públicos da VALEC)
Contato: (61) 99993-6660

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