06 novembro 2018

Pequenas crises rondam política externa de Bolsonaro



Três fontes de confusão se abriram na política externa brasileira. Uma com a China, a segunda com o mundo árabe e, a terceira, envolvendo Europa e Mercosul.

Os negociadores de Mercosul e União Europeia aceleram as tratativas para um acordo bilateral entre os dois blocos que, se concretizado, será o maior já assinado pela UE. No último dia 24, os países sul-americanos enviaram uma proposta. Amanhã, os comissários europeus se debruçam sobre ela para mandar nova versão. Uma corrida se instalou para que algum termo seja assinado ainda durante o governo de Michel Temer. As barreiras, por enquanto, estão mais no protecionismo de lá do que nos de cá. Mas não são apenas as declarações anti-Mercosul do time de Bolsonaro que preocupam. Os europeus veem com discreto alerta os acenos do futuro presidente para os EUA, temendo perda de espaço para produtos do continente no Brasil.

O que pega no mundo árabe é a decisão anunciada pelo novo governo de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Sob Donald Trump, os EUA fizeram isto. Os palestinos não gostam — parte da disputa local se dá pela autonomia da Cidade Santa. Se Israel a trata como capital, os muçulmanos se queixam. E, nesta toada, o Egito cancelou a viagem que uma comitiva brasileira faria ao país. O aceno é para a possível interrupção de compra de carne halal, abatida nos preceitos do Islã, e que faz parte relevante das exportações brasileiras. 45% do frango e 40% dos bovinos vendidos pelo Brasil são halal. A transferência da embaixada para Jerusalém atrai evangélicos, mas nenhum país se arriscou a cortar o comércio exterior com os EUA. Já com o Brasil é diferente. A resposta diplomática pode custar caro. (Folha)

O China Daily, principal veículo utilizado pelo governo de Beijing para se comunicar com o ocidente, publicou editorial fazendo análise da virada diplomática pela qual o Brasil pode passar. Hoje, a China investe algo como US$ 124,5 bilhões aqui e tem planos de expansão dos negócios. Mas vê com preocupação as constantes afirmações de Bolsonaro a respeito de o país ‘estar comprando o Brasil’. Ao menos nesta frente, um recuo do novo ocupante do Planalto foi devidamente registrado.

Pois é... Olavo de Carvalho está se oferecendo para ser embaixador brasileiro em Washington. “O que o Brasil mais precisaria é de dinheiro”, afirmou o professor. “Como embaixador nos EUA, eu saberia fazer dinheiro. Eu peguei alguma prática desse negócio de comércio internacional no tempo em que morei na Romênia. Não sou um total ignorante no comércio internacional.” (Folha)

Por: Meio