22 novembro 2018

MEC põe evangélicos em pé de guerra



O presidente eleito Jair Bolsonaro se encontrará, hoje de manhã, com o diretor do Instituto Ayrton Senna Mozart Neves Ramos. Até ontem, a conversa seria proforma. A um ponto, Bolsonaro quis escalar para o ministério da Educação Viviane Senna, irmã do piloto e presidente do Instituto. Ela não concordou, mas sugeriu Mozart que, na semana passada, recebeu uma sondagem e acenou, para o futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, que aceitaria. Após sair a informação em toda a imprensa, a começar pela repórter Renata Cafardo, do Estadão, a bancada evangélica no Congresso se levantou. “Para nós, o novo governo pode errar em qualquer ministério”, disse à Folha o deputado Sóstenes Cavalcanti, “menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós.” Ao Estadão, o deputado Ronaldo Nogueira foi mais explícito. “Não é veto ao nome, ele é uma pessoa muito respeitada. Mas tem um posicionamento ideológico totalmente diferente dos conceitos e princípios da bancada evangélica. Dois temas cruciais para a bancada são o Escola Sem Partido e a ideologia de gênero.”

Ao longo da tarde, o Instituto Ayrton Senna publicou nota informando que havia um convite para apresentar um diagnóstico e sugestão de caminhos para a educação, mas não para ocupar o ministério. Num tweet, às 19h32, o próprio Bolsonaro indicava o recuo. “Informo que até o presente momento não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação.”

Helena Chagas: “O nome do diretor do Instituto Airton Senna e ex-secretário de Educação de Pernambuco seria talvez o único da escalação de Jair Bolsonaro a agradar de A a Z educadores e especialistas em educação, inclusive gente da esquerda. Seria um caso raro de indicação acima de conflitos ideológicos e políticos, de um professor que se destaca por sua atuação na área — e não por estar, entre os profissionais do setor, representando direita ou esquerda. Mozart Ramos tem longa experiência, é respeitado entre os educadores brasileiros de diversas tendências, foi presidente do Movimento Todos pela Educação, professor e reitor da Universidade Federal de Pernambuco. A pergunta que não quer calar hoje é se Bolsonaro resistirá à pressão dos evangélicos ou se, de fato, a nomeação subiu no telhado.”

Por: Meio