21 novembro 2018

DEM já é o principal parceiro do novo governo



O deputado federal Luiz Henrique Mandetta, médico do Mato Grosso do Sul especializado em ortopedia pediátrica, será o novo ministro da Saúde. Seu nome foi anunciado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro ontem, no CCBB de Brasília, em um encontro com a Frente Parlamentar da Saúde e representantes das Santas Casas de todo o país. Ele é o terceiro ministro do DEM, que se consolida como principal parceiro do novo governo. A pasta tem o segundo maior orçamento da Esplanada.

Mandetta é investigado por suposta fraude, tráfico de influência e caixa dois na contratação de uma empresa quando era secretário de saúde em Campo Grande. Ele comprou um sistema para informatização da rede pública por R$ 10 milhões dando, segundo a CGU, um prejuízo de R$ 6 milhões ao município. “Ele nem é réu ainda”, afirmou Bolsonaro. “O que está acertado entre nós? Qualquer denúncia que seja robusta, não fará parte do governo.”

O novo ministro é ligado a Onyx Lorenzoni, da Casa Civil. E há um desconforto no comando do DEM. O presidente da sigla, ACM Neto, só terá a primeira conversa com Bolsonaro, hoje. “São quadros qualificadíssimos, mas escolhas do presidente”, afirmou. Disse também que não está decidido que o partido fará parte da base governista. (Globo)

Robson Bonin, do Globo: “A indicação de Mandetta para o Ministério da Saúde consolida o DEM como principal sócio do futuro governo. Durante a corrida presidencial, a direção da legenda apostou em Geraldo Alckmin, mas viu um dos seus ‘rejeitados’ internamente, o atual ministro da transição, Onyx Lorenzoni, acertar o cavalo vencedor. Um dos primeiros a aderir ao projeto, Onyx organizou uma confraria de deputados do baixo clero que ajudaram a preparar o presidente eleito para a campanha. Esse clube, que se reunia no apartamento funcional de Onyx, amansou ligeiramente Bolsonaro e ganhou sua confiança. O DEM de Onyx tornou-se um dos pilares do governo. Está na Casa Civil, sala de controle da Esplanada, no Ministério da Agricultura, que comanda o bilionário setor do agronegócio – espinha dorsal da economia –, e, agora, planta suas bases no portentoso Ministério da Saúde, com seus R$ 128 bilhões de orçamento. É um capital político invejável, capaz de despertar os instintos mais primitivos da banda fisiológica do Congresso, sempre ávida por cargos e verbas. Onyx não terá vida fácil. Alvo de dossiês dentro do próprio PSL, como revelou a revista Veja, o futuro ministro já foi minado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que tenta capturar uma parte do seu poder, e também não tem a simpatia do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que enxerga a ascensão da ala bolsonarista do seu partido como uma ameaça ao seu projeto de reeleição na Casa.”

Por: Meio