23 novembro 2018

Cidade de Barreiras/BA fica sem atendimento médico em oito postos de saúde após saída de cubanos


Apenas o atendimento médico está sendo remanejado às unidades próximas, os demais serviços como atendimento de enfermagem e odontológico, entre outros, continuam sendo efetuados conforme a rotina das unidades.

Postos de saúde de Barreiras ficam sem atendimento após saída de médicos cubanos

Oito postos de saúde do município de Barreiras, na região oeste da Bahia, onde apenas médicos cubanos trabalhavam, estão sem atender à população, nesta semana, após a saída dos profissionais.

(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o G1 errou ao informar no título que os postos de saúde foram fechados. A informação foi corrigida às 12h34 desta quinta-feira).


Uma das unidades de Barreiras que suspenderam o atendimento foi o posto de saúde Clara Cecília, que fica localizado no bairro Vila Rica, em Barreias, no oeste da Bahia. O único cubano que trabalhava no local foi dispensado na terça-feira (20).

Quem foi até o posto na manhã desta quarta-feira (21) teve que voltar para casa sem ser atendido por um médico. Do lado da porta da unidade de saúde, um cartaz foi colocado com a seguinte mensagem: "A partir de hoje, não terá mais atendimento médico e isso é por tempo indeterminado".

Placa avisa sobre suspensão de atendimento em posto de Barreiras — Foto: Reprodução/TV Oeste

A ajudante de cozinha Thais Tavares foi pega de surpresa. "A gente precisa muito do atendimento médico e só está tendo a enfermeira. Aí fica muito ruim. E as pessoas que não têm condições, né?", disse.

No posto de saúde Antônio Lúcio Peixoto, que fica na Vila Rica, também não há mais atendimento desde a segunda-feira (19). No local, atuava uma médica de Cuba, que também foi embora. Os moradores que dependem o posto de saúde dizem não saber o que fazer.

"Tenho um exame para mostrar, tenho cirurgia para marcar. E está difícil para marcar. Você não imagina o tanto de exame que a gente deixa aqui e demora, e demora para marcar. Já tem mais de 3 meses. E agora sem médico. A gente vai fazer o quê?", questiona a dona de casa Lusinete da Silva.

Posto de saúde Clara Cecília, em Barreiras — Foto: Reprodução/TV Oeste

A Secretaria de Saúde de Barreiras informou que, com a saída dos cubanos e a suspensão dos atendimentos nos postos, a população será redirecionada para outras 18 unidades de saúde do município.

"Esses atendimentos eles são não necessariamente pré-agendados, mas os atendimentos serão direcionados as demais unidades. Nós temos um leque de 26 unidades no nosso município. Apenas 8 ficaram carentes por conta da saída desses médicos, por um período de tempo. Então, nós não poderemos colocar um novo médico nessas unidades por conta de um credenciamento do programa Mais Médicos, que continua existindo. Assim que o Ministério da Saúde liberar os médicos, essas unidades aguardarão esses médicos para suplantar essas vagas que foram, então, agora, extintas pelo programa de Cuba", disse o secretário de Saúde Anderson Vian.

Por meio de nota, a secretaria esclareceu que, No momento, apenas o atendimento médico está sendo remanejado às unidades próximas, os demais serviços como atendimento de enfermagem e odontológico, pré-natal, curativos, marcação de exames, vacinação, entrega de medicamentos, continuam sendo efetuados conforme a rotina das unidades.

Ainda segundo a nota da secretaria, conforme a publicação do edital do Ministério da Saúde, a previsão é de que já no início dezembro novos profissionais cheguem à cidade para atender a demanda após a saída dos médicos cubanos.

Cubanos na Bahia

A Bahia, que abrigava 10% do total de médicos cubanos do Mais Médicos hoje no país, é o segundo estado que mais perdeu profissionais — fica atrás apenas de São Paulo, que tinha 16% de todos os médicos de Cuba hoje no país.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), a Bahia possuía 1.522 médicos estrangeiros, alocados em 363 dos 417 municípios. Deste total de profissionais, 846 são cubanos, que estão distribuídos em 317 municípios — há médicos também de países como México, Espanha e Angola.

Os cubanos atendiam, diariamente, 20,4 mil pessoas no estado — 326 mil mensalmente e 3 milhões anualmente.


Apuarema (3 médicos)
Central (6)
Correntina (8)
Itagibá (3)
Lafaiete Coutinho (2)
Lajedão (2)
Nova Itarana (3)
Nova Soure (5)
Palmeiras (4)
Pedro Alexandre (6)

Do total de municípios que contam atualmente com o programa Mais Médicos na Bahia, em 99, o número de médicos cubanos representa mais de 50% do total de profissionais da atenção básica. Ainda conforme dados do governo local, 17 comunidades indígenas também ficarão sem assistência em todo o estado.

A Sesab aponta que a retirada antecipada dos médicos representa "grave ameaça para municípios baianos". Diz que, ao longo de cinco anos de existência do programa, mais de 5,6 milhões de pessoas foram beneficiadas, cerca de 800 mil consultas realizadas por mês, com uma cobertura de 72% da atenção básica.

No ranking de cidades que vão perder o maior número de cubanos, mas ainda manterão médicos na assistência básica, Teixeira de Freitas, na região sul, aparece no topo. A cidade perderá 18 profissionais cubanos.

Saída de médicos

O governo de Cuba anunciou a retirada dos médicos do programa no dia 14 de novembro, citando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos profissionais no Brasil.


O Ministério da Saúde informou que vai preencher as vagas deixadas pelos cubanos com médicos brasileiros. Para isso, lançou novo edital do programa sete dias após Cuba anunciar a saída do convênio.

O chamado do governo federal abre 8.517 vagas em quase 3 mil municípios e 34 distritos indígenas. O salário é de R$ 11.800. Podem se candidatar os médicos brasileiros com CRM Brasil ou com diploma revalidado no país.

Por: G1 BA