29 outubro 2018

Jair Messias Bolsonaro, 38º Presidente da República



Jair Messias Bolsonaro, paulista da pequena Glicério, 63 anos, elegeu-se ontem o 38º presidente da República. Teve 57,79 milhões de votos no segundo turno. Em sua reeleição de 2006, Lula havia recebido 58,29 milhões de votos — ainda o recorde em eleição presidencial. Em números absolutos, foi o segundo mais bem votado. Em termos percentuais, o capitão da reserva teve pouco mais de 55% dos votos válidos, fazendo dele o quarto mais bem votado desde 1985. Lula teve 61,2% em 2002 e, em 2006, 60,8%. Dilma teve 56%, em 2010. O capitão reformado liderou de uma ponta a outra da campanha, desde o momento em que todos os candidatos foram formalizados. A votação bate com aquela prevista pelas pesquisas.

Veja, no Instagram, o momento em que soube da vitória.

Seu primeiro comunicado à nação foi feito através de uma Live, no Facebook, que durou aproximadamente oito minutos. “Esse primeiro contato, via live, deve-se ao respeito, à consideração e à confiança que tenho pelo povo brasileiro”, disse. “Só cheguei aqui porque vocês, internautas, acreditaram em mim.” Agradeceu a Deus e aos médicos que o atenderam em Juiz de Fora e São Paulo. Pouco depois, foi à porta de casa onde leu um segundo discurso, este escrito, para jornalistas. “Nosso governo vai quebrar paradigmas, vamos desburocratizar e permitir que o cidadão, o empreendedor, tenha mais liberdade. Vamos desamarrar o Brasil. Precisamos de mais Brasil e menos Brasília. Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos.”

O presidente americano Donald Trump ligou para Bolsonaro, e o parabenizou pela vitória, ainda na noite de domingo. “Os dois expressaram um forte compromisso de trabalhar lado a lado”, afirmou a porta-voz da Casa Branca. O presidente venezuelano Nicolás Maduro também congratulou Bolsonaro. “O presidente Maduro estende suas sinceras felicitações pelo segundo turno”, fez publicar em nota. (Estadão)

Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda: “O primeiro grande item é a previdência. Precisamos de uma reforma. O segundo é o controle de gastos públicos, as despesas de juros. Vamos acelerar as privatizações porque não é razoável o Brasil gastar US$ 100 bilhões por ano de juros da dívida. O Brasil reconstrói uma Europa por ano. O terceiro é uma reforma do estado, são os gastos com a máquina pública. Vamos ter que reduzir privilégios e desperdícios.”

Aliás... Segundo Lauro Jardim, Paulo Guedes já tem um acordo para fazer passar no Congresso um projeto para tornar independente o Banco Central. A ideia seria manter Ilan Goldfajn na presidência por mais dois anos. O presidente do BC teria mandato de quatro anos que acaba no meio do mandato presidencial. (Globo)

Merval Pereira: “Foi uma vitória expressiva, mas não a ponto de dar um cheque em branco ao presidente eleito. Falou mais alto, ao final, o sentimento antipetista que tomou conta da população. Coube a Bolsonaro interpretar esse sentimento latente, mas ele não deve se enganar: muitos dos eleitores que o escolheram não são dele, e estarão a partir de hoje em ‘apoio crítico’, como virou moda dizer, ou mesmo na oposição. O fato é que a retórica radicalizada não corresponde ao desejo da maioria, e o novo presidente terá que ter sensibilidade para se enquadrar dentro do que a maioria do país quer, um governo reformista que, a partir da recuperação da economia, saiba unir os brasileiros sob uma orientação que pode ser conservadora nos costumes, mas nunca repressora ou autoritária.” (Globo)

Pedro Doria: “Não é só a intimidade com a internet que alavancou a candidatura de Jair Bolsonaro. Houve uma confluência de ondas, uma tempestade perfeita. Envolve a crise social e econômica nascida da transformação digital do mundo. Uma reação conservadora, igualmente mundial, aos avanços nos direitos liberais das últimas décadas. E há também cores brasileiras. A diminuição da desigualdade e simultânea popularização de smartphones. A crise do modelo de gestão política do Brasil, disparada pelas manifestações de 2013 e reforçada com a Lava-Jato. E para entender sua ascensão é preciso começar pelas passeatas de 2013.” (Globo)

Por: Meio