19 outubro 2018

Haddad pede ao TSE que torne Bolsonaro inelegível



A temperatura aumentou, e muito, no estirão final da campanha. Advogados do PT deram entrada em processo, no TSE, pedindo a impugnação da chapa liderada por Jair Bolsonaro. O argumento é a reportagem de Patrícia Campos Mello na manchete da Folha de ontem: um grupo de empresários estaria pagando os contratos com empresas de marketing para distribuição de mensagens via WhatsApp. Por não ser declarada, as contas que chegariam a até R$ 12 milhões, ainda de acordo com o jornal, configurariam caixa dois. São, portanto, ilegais.

A jornalista foi agressivamente atacada por seguidores de Bolsonaro, ao longo do dia.

Bolsonaro não negou. “Não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso”, afirmou. E, via Twitter, partiu para o ataque. “Apoio voluntário é algo que o PT desconhece e não aceita.” E, ainda: “O PT não está sendo prejudicado por fake news, mas pela verdade.” Partiu também para cima do jornal. “A Folha é um jornal que realmente se afunda mais na lama.” O dono da Havan, Luciano Hang, nega e desafia o jornal a apresentar provas. Afirma que abrirá processo.

A Folha não traz novidades, hoje, e a história não avançou. PT e PDT protocolaram dois pedidos para que a Procuradoria Geral da República inicie uma investigação. A turma do site de petições Avaaz anunciou prêmio de US$ 100 mil para informações que levem à condenação de qualquer um dos candidatos por comandar operações de fake news.

Não é só o Ministério Público. O próprio WhatsApp abriu investigação interna para averiguar o disparo de mensagens em massa contra o PT denunciado pelo jornal.

Em meio ao caos geral, o PSOL entrou com outro pedido no TSE: que simplesmente bloqueie o WhatsApp até o fim do pleito. (Globo)

Alon Feuerwerker: “É improvável que a suspeita/acusação de caixa dois empresarial para distribuição em massa de mensagens e fake news favoráveis à campanha de Bolsonaro influa decisivamente no resultado da eleição daqui a pouco mais de uma semana. Mas é provável que, caso confirmada a vitória do candidato do PSL, o caso acabe pairando sobre a nova presidência como ameaça jurídico-política potencial. Desde a proibição do financiamento empresarial de campanhas supunha-se que esta eleição veria o crescimento da possibilidade de caixa 2. A confirmação do delito trazido na reportagem colocará o Judiciário em sinuca de bico: tomar providências, que teriam de ser drásticas, ou simplesmente deixar para lá para não interferir na escolha popular? Dada a atual correlação de forças políticas amplamente favoráveis ao bolsonarismo, é possível até que o novo poder consiga abafar e abortar o caso. Se não conseguir, a coisa ficará como uma espada pendente sobre sua cabeça. E as corporações estatais terão esse forte argumento adicional para dissuadir o novo governo de tentar atacar seus privilégios. Pois será pouco provável que, caso não consiga matar o assunto no nascedouro, o bolsonarismo vá ter forças para enfrentar o Ministério Público e o Judiciário. Já para a provável futura oposição, o achado jornalístico, se minimamente confirmado, será o suficiente para contestar a legitimidade e a legalidade do novo poder. Será um ponto de apoio para a campanha interna e externa de desestabilização do que eventualmente chamarão de ‘regime bolsonarista’. O terreno na imprensa mundial já está arado.”

Por: Meio