26 outubro 2018

Datafolha: Haddad sobe, Bolsonaro cai, e eleição pega fogo



A diferença ainda é grande — segundo o novo Datafolha Jair Bolsonaro tem 48% dos votos totais, Fernando Haddad, 38%. Mas há uma clara inflexão da curva. Brancos e nulos são 8% e, indecisos, 6%. Levando-se em consideração apenas os votos válidos, o placar está em 56 a 44%. Era 59 a 41% há uma semana. Era uma distância de 18 pontos, caiu a 12 — diminuiu em seis. A eleição é domingo, e o ritmo de velocidade da circulação de informações e conversas pelo WhatsApp provocou grandes turbulências nos pleitos de São Paulo, Rio e Minas no segundo turno. O capitão reformado do Exército é franco favorito, mas uma virada não é impossível. Realizada na quarta e quinta-feiras, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos.

Pelos números do Datafolha, a principal dificuldade de Haddad está na taxa de rejeição: 52% declaram que não votariam nele de jeito nenhum. Para Bolsonaro, a taxa é de 44%. (Folha)

Mauro Paulino e Alessandro Janoni: “A diminuição da diferença de Bolsonaro para Haddad é acentuada em função da dicotomia que caracteriza o cálculo dos votos válidos nas disputas em segundo turno. São apenas dois candidatos — quando um ganha, o outro perde na mesma proporção. É impossível afirmar tratar-se de uma migração contínua com potencial para estender-se até o domingo. Apenas o próximo levantamento, às vésperas da votação, poderá sugerir se a curva se intensificará ou se perderá força. O apoio ao capitão reformado apresenta tendência de queda em quase todos os segmentos socioeconômicos e demográficos. Um dos pontos pode explicar as mudanças é a nova comunicação de Haddad. A campanha abriu canais com linguagem adaptada a conjuntos de menor renda (com maior peso na população) ao divulgar, por exemplo, o preço do gás de cozinha que pretende praticar. O outro vetor, talvez o principal, refere-se às turbulências que atingiram a candidatura do PSL — episódios que sugerem intervenções autoritárias, protagonizados por Bolsonaro, por seu filho Eduardo e aliados acabaram por corroborar a campanha do PT, que o vinha classificando de antidemocrático e violento. Segundo o Datafolha, os brasileiros nunca valorizaram tanto a democracia. A maioria condena as práticas como tortura de suspeitos, censura da imprensa e fechamento do Congresso. Com esse cenário, agressões entre eleitores em discussões políticas, ameaças à presidente do TSE, insinuações de intervenção no STF, estímulo à perseguição tanto de jornalistas como de adversários podem ter minado parte da confiança que o candidato vinha obtendo junto a diferentes setores do eleitorado.” (Folha)

Jairo Nicolau: “Haddad e Bolsonaro estão empatados (na margem de erro) entre as mulheres e os católicos. A vantagem nacional de Bolsonaro deve-se ao seu desempenho entre os evangélicos e os homens.”

Dirigentes do DEM, ouvidos pelo Painel, gostaram da notícia. Avaliam que o resultado vai apertar mas que não há tempo para virar. Com vitória mais apertada, Bolsonaro terá de fazer mais concessões e negociar para governar. (Folha)

Por: Meio