11 outubro 2018

Datafolha: Bolsonaro larga com 16 pontos de vantagem



O primeiro Datafolha do segundo turno confirma que Jair Bolsonaro, com 58% dos votos válidos, é o favorito deste pleito contra 42% dos de Fernando Haddad. Foram ouvidas 3.235 pessoas e a margem de erro é de dois pontos. Como no primeiro turno, o militar só perde no Nordeste. Mas vence com larga vantagem no Sudeste, entre as pessoas mais ricas, entre as escolarizadas, assim como entre evangélicos e católicos. (Folha)

Paulo Celso Pereira: “Os 16 pontos que separam Bolsonaro de Haddad são oceânicos, especialmente em uma eleição polarizada. Ficou evidente, pelos resultados do primeiro turno, que muitos eleitores de Marina e Alckmin anteciparam para o domingo seu voto útil. Ao sair das urnas com 46%, contra 29% de Haddad, Bolsonaro colocou um pé no Planalto. Hoje, começou a mover o outro. Será hercúlea a tarefa de derrotar Bolsonaro. A histórica militância do PT é hoje visivelmente menor que a massa de adoradores do deputado, as estruturas partidárias não tem mais o peso de outrora e a eleição foi marcada por um sentimento de renovação. A única trilha que ainda parece aberta é a de um eventual erro de grandes proporções de Bolsonaro e de seu entorno — o que, pelo histórico recente, não é de todo desprezível.” (Globo)

Marcos Nobre: “Evitar o abismo exige um pacto de salvação institucional que tem de colocar o PT necessariamente em segundo plano. Haddad só tem chance se conseguir mobilizar a sociedade. A sociedade, e não um círculo restrito a partidos, sindicatos ou movimentos. Tem de construir uma onda que possa se contrapor à que colocou Bolsonaro onde está. Tem de conversar e de pactuar uma frente com uma multidão de figuras do mundo da internet, da indústria, dos novos coletivos sociais, da finança, da cultura, do agronegócio, de ONGs, da televisão e de tantos outros lugares. Onde quer que exista repulsa, ojeriza ou alguma restrição a Bolsonaro, aí tem de estar a candidatura de Haddad, pronta a acolher energia e apoios. Para isso, tem de convencer de que está à altura da gravidade do momento. Tem de dar garantias. Tem de convencer de que estará acima de seu próprio partido. Ganhar a eleição é a menor parte do problema. A sociedade está enfurecida. A eleição para os legislativos aumentou a fragmentação partidária ao ponto do ingovernável. É um condomínio sem síndico, administradora ou regulamento interno. A chance de o prédio virar uma guerra é alta. A chance de uma regressão autoritária à maneira da Turquia entrou no horizonte. Ignorado desde Junho de 2013 em seu clamor pela reforma do sistema político, o eleitorado resolveu espalhar, bagunçar e mesmo quebrar as peças do tabuleiro, destruindo os arranjos existentes. O que está em causa no segundo turno é, antes de qualquer outra coisa, demonstrar capacidade de remontar essas peças em um arranjo que funcione, no qual o eleitorado possa de novo se reconhecer minimamente.” (Piauí)

Pois é... A senadora Kátia Abreu sugeriu que Haddad renunciasse à candidatura. Pelas regras, se um candidato renuncia ou morre durante o segundo turno, o terceiro lugar seria convocado à disputa. Ciro Gomes, do qual Kátia estava na chapa como vice.

Por: Meio