São Desidério Fest 2018

13 setembro 2018

Todos contra Haddad, Haddad por Lula



“O Brasil não aguenta outra Dilma”, afirmou ontem Ciro Gomes em sabatina organizada por O Globo e Época. Referia-se a um novo presidente eleito apenas por ter sido escolhido por Lula. É sua estratégia: bater em Fernando Haddad enquanto se move ao Centro. O bastião que Ciro precisa defender é o nordestino, região onde lidera com 18% dos votos, de acordo com o Ibope. Se ele conseguir impedir o crescimento do petismo por lá, chega ao segundo turno. Na primeira fase da campanha, de aproveitar a estratégia de Lula que atrasou a apresentação do candidato real, Ciro pôde se descolar.

Gerson Camarotti: “A ofensiva de Ciro pegou o PT de surpresa. Nas palavras de um integrante da campanha, esse tipo de ataque já era esperado por parte do PSDB. Mas não de um ex-aliado. Há o reconhecimento no PT que o governo Dilma é um ponto de fragilidade. Por isso, toda a estratégia é de associar o ex-prefeito ao nome de Lula e pular o governo Dilma.”

Não é só ele. “O candidato Haddad vai ter que responder para a população por que nos anos de governo Dilma Temer o Brasil acabou com as coisas boas que o governo do PT tinha feito e aumentou as coisas erradas” falou, em Belo Horizonte, Marina Silva.

É a estratégia oposta à de Geraldo Alckmin. O tucano, lembra Daniela Lima na Folha, conta com um crescimento de Haddad. É só com um PT forte que poderá propor o voto útil que lhe permita arrancar Jair Bolsonaro do segundo turno para que seja ele a incorporar o candidato anti-petista.

Objetivo diferente, discurso igual. “Finalmente o PT parou com a enganação, ficaram aí escondendo o Haddad”, afirmou Alckmin em Betim, Minas. “Agora ele vai ter que se apresentar como candidato e explicar os 13 milhões de desempregados, fora outros tantos no desalento. Isso não começou hoje, isso aí é uma herança do período do PT.”

Enquanto isso... Haddad gruda em Lula. “Nós temos três semanas. Ficaram falando que arriscamos. Não arriscamos nada”, explicou o ex-prefeito a um grupo de estudantes. “Quem está do lado certo, quem toma partido do lado da Justiça, não arriscou nada. Ter ficado até o último segundo do lado do presidente Lula não pode ser tido como um risco, como um cálculo eleitoral, uma coisa menor.”

Por: Meio