21 setembro 2018

Sem Bolsonaro, Haddad vira alvo no debate



Em seu primeiro debate como candidato à presidência, Fernando Haddad foi o principal alvo, ontem à noite, na TV Aparecida. E poucos bateram tanto quanto Geraldo Alckmin, que começou a recalibrar sua campanha, buscando um tom mais agressivo. “Não precisaria a PEC do teto se não fosse o vale-tudo do PT”, afirmou o tucano. “São 13 milhões de desempregados, quebraram o Brasil. O Petrolão foi o maior escândalo do mundo.” Haddad retrucou às críticas por dois caminhos. “O Temer era vice da Dilma, mas foi o PSDB que colocou o Temer lá, com um programa de governo que não foi eleito.” E daí partiu para citar a briga interna tucana. “Tasso Jereissati assumiu que o PSDB sabotou o governo desde a reeleição”, lembrou. Mas como tem sido uma crítica repetida, Alckmin tinha resposta preparada. “Todos os partidos estão fragilizados e todos deveriam fazer autocrítica. Mas o PT, ao invés de fazer autocrítica, lança candidato na porta da penitenciária.” Mais contido, Ciro Gomes também questionou os governos petistas. Foi quando Haddad explicava a reforma tributária que tinha em mente, incluindo impostos sobre grandes fortunas. “Por qual razão a sociedade machucada como está deveria acreditar nessas boas ideias, que defendi em um livro de 1996? Seu partido esteve no poder por 14 anos e nunca fez isso.” Assista ao debate na íntegra.

Checagem do debate: Agência Lupa e Aos Fatos.

As críticas ao PT vêm também de gente próxima. “Se o PT reconquistar o poder político, ou mesmo se não chegar lá”, disse ontem o linguista Noam Chomsky em entrevista à BBC, “uma grande tarefa que deve enfrentar é de estabelecer uma espécie de comissão da verdade para olhar com honestidade para o que ocorreu.” Ícone intelectual da esquerda em todo o mundo, Chomsky visitou Lula.

Assim como a nova agressividade de Alckmin não tem foco apenas no PT. Seu programa de TV, ontem, foi inteiramente dedicado a Bolsonaro. O tucano afirma que a mudança na estrutura tributária sugerido pelo economista Paulo Guedes, que deseja passar o IR para uma alíquota só, vai aumentar a carga de quem ganha menos e diminuir a de quem ganha mais. Nesta toada, fez uma extensa comparação entre o candidato da direita brasileira e o governo Chávez, na Venezuela. Assista.

Pois é. Ontem, Paulo Guedes tinha uma apresentação marcada para investidores do Credite Suisse. Cancelou-a. Não está só, lembra Lauro Jardim. Também o economista do PT, Marcio Pochmann, pulou fora de um encontro com o mesmo grupo. Hora de não dizer nada sobre os planos futuros ou revelar discordâncias internas. (Globo)

Por: Meio