12 setembro 2018

Ibope: Bolsonaro se descola no dia em que Haddad é ungido candidato



A pesquisa Ibope divulgada ontem mostrou um Jair Bolsonaro bem maior do que o do Datafolha. Se tinha 22% na entre 1 e 3 de setembro, saltou a 26% das intenções de voto nesta nova, colhida entre 8 e 10. Ciro caiu um ponto, mantendo-se estável — tinha 12, passou a 11%. Marina, que estava empatada com o pedetista nos mesmos 12, caiu para 9%. Agora, empatou com Alckmin — que manteve-se nos mesmos 9% entre uma pesquisa e outra. Fernando Haddad saiu de 6 para 8%. O cenário do bolo neste segundo pelotão com Ciro líder, Marina em queda, Alckmin estável e Haddad vindo confirma mais ou menos os tamanhos colhidos pelo Datafolha de segunda-feira. A principal distinção está mesmo no crescimento do ex-capitão, que o Ibope não detectou como sendo sutil. (Estadão)

Mas há outra distinção relevante: é na especulação do segundo turno. Enquanto Datafolha detectou vitórias com folga contra o candidato militar por todos menos Fernando Haddad, o Ibope percebeu cenários mais apertados. Ciro Gomes teria 40% e, Bolsonaro, 37%. Alckmin, 38% contra 37% do ex-capitão. Marina e o líder se bateriam 38 a 38%. E Haddad perderia com 36% contra 40%.

Jair Bolsonaro não se destaca do segundo pelotão apenas nas intenções de voto, mas também no índice de rejeição. 41% dos eleitores não votariam nele de jeito nenhum. Marina tem 24%, segundo o Ibope, Haddad 23%, Alckmin, 19% e, Ciro, 17%.

Rafael Cortez da Tendências Consultoria: “O cenário pós atentado aponta na mesma direção que existia antes. Uma cristalização das preferências ao Bolsonaro. A fidelização do eleitor foi reforçada. Contudo, não acredito que exista um crescimento a partir do episódio. Ele tem um desafio grande, que é a rejeição. As pesquisas não conseguem captar o potencial de votos do Haddad. Os próximos levantamentos devem mostrar um desempenho mais positivo. O PT tem dois desafios com ele: aumentar a taxa de exposição, porque ainda é desconhecido, e reforçar o vínculo entre ele e Lula. Há a expectativa de crescimento. Não se sabe se será o suficiente para gerar distanciamento do Ciro Gomes. Existe essa rivalização no campo da esquerda.” (Estadão)

De olho nas pesquisas deste ano e nas de 1989, o cientista político Jairo Nicolau percebeu que voltamos ao padrão: “Quem diria que, três décadas depois, teríamos novamente uma disputa entre um outsider contra os candidatos do PT, PDT e PSDB?” Pois, no retrato do momento, é exatamente isto. Naquela que foi a primeira eleição desde 1960, Fernando Collor saltou à frente, o tucano Mario Covas ficou para trás, enquanto Lula e Leonel Brizola disputaram até o último dia quem iria ao segundo turno.

Por: Meio