28 setembro 2018

Durante divórcio: Bolsonaro acusado de renda incompatível



A semana foi bem ruim para Jair Bolsonaro. Não bastasse seu crescimento ter estacionado, como sugere o Ibope, começou a onda de denúncias. Primeiro, a Folha informou que sua ex-mulher, Ana Cristina Vale, o havia denunciado por ameaça de morte ao Itamaraty. (Ela nega.) A capa da Veja que sai hoje mergulha no divórcio dos dois. Tendo tido acesso ao processo, os repórteres descobriram que ela acusou o ex-marido de ocultar o patrimônio pessoal na divisão de bens. De acordo com os documentos que apresentou, ele também ocultou muito do que tinha da Justiça Eleitoral, em 2006. Para as eleições, o deputado afirmou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações que somavam R$ 434 mil. Ele não revelou que possuía, ainda, mais três casas, um apartamento, outra sala comercial e cinco lotes. Tudo somado dava R$ 7,8 milhões, incompatíveis com sua renda de parlamentar.

Ana Cristina não ficou nisso. Afirmou que Bolsonaro tinha uma renda mensal de R$ 100 mil à época, R$ 183 mil em valores atualizados. E que roubara o conteúdo de um cofre pertencente ao casal com jóias, dólares e reais que somavam R$ 1,6 milhão. Vejaentrou em contato com ela. “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”, ela disse. “Bolsonaro é digno, carinhoso, honesto e provedor.” Ana concorre a uma vaga de deputada federal com o nome Cristina Bolsonaro.

Não para aí. Falando à Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana, o general Antonio Mourão criticou as leis trabalhistas. “Temos algumas jabuticabas, uma mochila nas costas de todo empresário”, afirmou. “13º salário. Se a gente arrecada 12, como é que pagamos 13? É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais, aqui no Brasil. A legislação é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não com o do governo.” Em vídeo.

A campanha de Jair Bolsonaro rapidamente se movimentou para tentar conter o estrago. Aliados de presto refutaram a fala do general. E o próprio candidato recorreu ao Twitter. “O 13º está previsto na Constituição em capítulo das cláusulas pétreas. Criticá-lo, além de uma ofensa a quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição.”

Tão preocupado está com os constantes tropeços do general, que o núcleo militar ligado a Bolsonaro chegou a cogitar pedir que ele renunciasse ao posto de vice para não prejudicar mais seu candidato. Mas, embora haja precedentes no TSE, a legislação determina o prazo de 20 dias antes do pleito para esta troca. Já passou. A jogada seria de risco, melhor não tentar. (Estadão)

Pois é. José Dirceu, no lado petista, também andou flertando com o extremismo. Quando perguntado pelo El País sobre a possibilidade de o partido ganhar a eleição, mas não levar, respondeu de bate-pronto. “Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. É uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.” O melhor remédio para um golpe, para o ex-ministro, não é a reinstalação da democracia. É um contra-golpe.

Por: Meio