10 setembro 2018

Começa uma semana chave para Ciro e Haddad



Desde que Jair Bolsonaro sofreu um atentado a sua vida, o PT está sem contato com o ex-presidente Lula. É que em feriados e fim de semana não há visitas, lembra Lauro Jardim (Globo). Para o partido, é um problema. Por dois motivos. O primeiro é que termina amanhã o prazo para que o candidato oficial seja trocado. Haddad assumirá, mas não há qualquer detalhe combinado. O segundo é que boa parte da estratégia petista depende da percepção de que Lula é vítima nesta eleição. E, como sugere Elio Gaspari, agora há outra vítima — real — na eleição (Globo ou Folha).

Sairá hoje a nova pesquisa do Datafolha, realizada já após o atentado. Os levantamentos que vêm surgindo têm mostrado que Ciro Gomes é quem mais ganha com a saída oficial de Lula.

No campo de Bolsonaro, há euforia e tumulto. Enquanto seus adversários de imediato declararam uma trégua, seus partidários partiram para o ataque, descreve Bernardo Mello Franco (Globo). Tanto seu vice, o general Mourão, quanto o pastor Silas Malafaia acusaram o PT pelo crime. Falando a jornalistas, seu filho Flávio Bolsonaro foi mais direto. “Vocês acabaram de eleger o presidente.” Só que, internamente, a coisa se desdobrou numa crise de comando. Com o ex-capitão fora de combate, conta Daniela Lima no Painel da Folha, ficou mais fraco na presidência do pequeno PSL Gustavo Bebianno e uma ala forte da sigla defende que os filhos do deputado, Flávio, Eduardo e Carlos, assumam a campanha nas próximas semanas. Tem sido uma disputa tensa, esta, e pode impedir a criação de uma mensagem consistente num período chave. Mas nada tira aquilo que se tornará a maior arma do candidato da direita extrema: seu tempo de TV, faz as contas Ascânio Seleme (Globo), aumentou imensamente.

Pois é... Será uma eleição de fortes dilemas. No domingo, o Estadão publicou uma entrevista com o comandante do Exército, general Villas Bôas. “O atentado confirma que estamos construindo dificuldade para o novo governo, podendo até mesmo ter sua legitimidade questionada”, avaliou. “O Bolsonaro, não sendo eleito, pode dizer que prejudicaram a campanha dele. Sendo eleito, será dito que foi beneficiado pelo atentado.” Quem não gostou da análise foi o filho 01. “Meu pai não vai ser eleito por causa de uma facada”, disse Flavio a uma repórter da Folha. “Ele tomou a facada porque já estava eleito.”

Pode até ser. Mas só saberemos no dia 7. Segundo analistas ouvidos pelo Valor, não é certo que a tentativa de assassinato ajude o ex-capitão. No primeiro momento, podem surgir intenções de voto movidas a emoção. “Em uma semana voltaremos à racionalização”, aposta o cientista político Aldo Fornazieri. Será uma eleição líquida, nas palavras de Míriam Leitão, no Globo. “O ambiente é absolutamente fluido”, ela conta. “As consequências do atentado podem ter os mais variados desdobramentos. Tudo dependerá dos próximos movimentos de cada um dos atores desta campanha.” No Estadão, Vera Magalhães disse o mesmo, com outras palavras. “A eleição de 2018 passará à História como aquela que foi ditada, em sua maior parte, de dentro da carceragem da Polícia Federal e, em sua reta final, de um leito hospitalar.” É aguardar para ver com que capacidade de organização e intuição política nascerão os movimentos que partem deste leito e seu entorno.

Por: Meio