26 setembro 2018

Centro tenta candidatura única; não consegue



Uma reunião convocada pelo advogado Miguel Reale Júnior, que incluiria Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Marina Silva e Henrique Meirelles, foi cancelada, ontem, na última hora. O encontro havia sido combinado na segunda-feira mas, na última hora, Marina e Meirelles deram para trás. Juntos, os quatro têm 17% das intenções de voto de acordo com a última pesquisa do Ibope. (Folha)

Pois é... O principal crescimento de Jair Bolsonaro, no último mês, foi entre os 30% de brasileiros que não votariam no PT de jeito nenhum. Ele avançou 18 pontos percentuais neste grupo e, hoje, é seu principal candidato, atraindo as intenções de 59% das intenções de voto antipetista. Segundo analistas ouvidos pelo Estadão, o crescimento é indício de que a rejeição a Lula é mais forte do que o apoio ao programa do candidato entre seus possíveis eleitores. “Não há um bolsonarismo no Brasil, mas um antilulismo identificado na figura do Bolsonaro”, sugere Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná. É, portanto, um voto frágil, que pode ir para outro lado. Até agora, porém, o tucano Geraldo Alckmin não tem conseguido atrair este grupo.

Elio Gaspari: “Tudo indica que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputarão o segundo turno. Na última pesquisa do Ibope, um tem 28% das preferências e o outro ficou com 22%. Ciro, Alckmin, Marina, Alvaro Dias, Meirelles e Amoêdo têm juntos 31%. Esse percentual, somado ao total dos que não responderam e aos que preferem o voto nulo ou em branco, vai a 49%. Perto da metade do eleitorado ainda estaria potencialmente disponível num segundo turno. O centro não foi à campanha, mas Bolsonaro, com 46% de rejeição e Haddad, com 30%, tentarão buscá-lo. Será um exercício de acrobacia política, e a responsabilidade final ficará para os eleitores que vierem a acreditar na versão light do PT ou na de Bolsonaro. O capitão reformado dizendo que nada tem contra as mulheres poderá até ser verdade, mas não se deve acreditar nele, pelo que disse através dos tempos. O mesmo pode ser dito de Haddad quando repete que acredita nos mecanismos de combate contra a corrupção, apesar de nunca ter concordado com a prisão de um só petista.” (Globo ou Folha)

Por: Meio