São Desidério Fest 2018

16 agosto 2018

TSE pode acelerar impugnação de Lula



Não foi no último minuto, como prometido, mas após uma marcha feita pelos militantes e discursos em cima do carro de som, uma comitiva de representantes de PT, PCdoB e Pros entrou no prédio do TSE. A senadora Gleisi Hoffmann, acompanhada da ex-presidente Dilma, do candidato não-oficial Fernando Haddad e da vice real Manuela D’Ávila, fizeram às 17h20 o registro de Lula na disputa pelo Planalto.

Ontem mesmo à noite, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, questionou a candidatura e pediu ao ministro relator, Luís Roberto Barroso, sua impugnação. Ela argumenta que Lula é inelegível por ter sido condenado em segunda instância, anexa o documento que o PT omitiu no registro — uma certidão emitida pelo TRF-4 — e comprova que ele se enquadra na Lei da Ficha Limpa. A procuradora não foi a única. Também Kim Kataguiri, do MBL, e o ator Alexandre Frota apresentaram pedidos de impugnação, que serão analisados pelo ministro Admar Gonzaga. Se a impugnação do registro for aceita, Lula deixa de ser candidato ainda em agosto. O PT deseja esticar o prazo ao máximo.

O PT não gostou de ver logo Barroso como o relator do registro de candidatura. Querem que Admar Gonzaga faça também a análise do pedido de Dodge. Mas Barroso não deverá tomar qualquer decisão sozinho. Pretende levar ao plenário a discussão. (Estadão)

Daniela Lima: “Lula sabe que, colocando o TSE contra a parede enquanto arquiteta a própria substituição na corrida pelo Planalto, irrita os ministros e abre espaço para respostas extremadas e céleres. Mas é preso, derrotado dia após dia nos tribunais, que mantém vivo o discurso de que é vítima de uma caçada judicial. Lula sabe que suas chances de continuar na disputa presidencial são praticamente nulas. Sabe que não sairá da cadeia este ano, em meio ao debate eleitoral. O ex-presidente faz o que faz em nome de um projeto de poder muito bem estruturado na cabeça dele. Vai esticar sua presença virtual na disputa até o limite, seja brigando com o TSE, com Sergio Moro, com o Supremo, com tudo. Fará isso para tentar criar uma narrativa capaz de ungir o nascimento de sua nova persona —hoje inseminada em Fernando Haddad. Calcula que deve perder agora para abrir margem a uma vitória em outubro.” (Folha)

Por: Meio