13 agosto 2018

Haddad acena para Alckmin e atua como candidato real



Duas declarações do petista Fernando Haddad saltam aos olhos, na entrevista concedida ao Globo, ontem. A primeira, enquanto tirava fotos, comentou da luz que vinha da janela. “Dependendo do ângulo”, falou o ex-prefeito, “parece que estou no Alvorada.” A residência presidencial. E o segundo, mais ao fim. “Nós que temos uma atuação política precisamos ter a dignidade de defender a honra de um adversário”, explicou, para emendar. “Trabalhei quatro anos com o Alckmin, nunca ouvi comentário maldoso sobre ele.” Como diz Vera Magalhães, no BR18, a segunda tem explicação simples. “A estratégia parte do cálculo petista de que existe a possibilidade de o ex-prefeito ir ao segundo turno contra Bolsonaro.” Neste momento, precisará de votos da centro-esquerda que forem para o tucano.

A do Alvorada é mostra do difícil jogo duplo que o candidato faz desde a semana passada. Segue afirmando que Lula, embora inelegível pela Lei da Ficha Limpa, será o candidato do PT. Ao mesmo tempo, lembra por subterfúgios o óbvio. O candidato de fato é ele. Começaram a chegar ontem, em Brasília, militantes do MST que saíram em marcha pelo país para, quarta-feira, fazer no último momento o registro da candidatura Lula. O partido quer esticar a impugnação até depois de 17 de setembro. É a data em que as fotos vão para as urnas e o limite, pela lei, para que partidos substituam candidatos. A estratégia não é consensual.

Alon Feuerwerker: “A diferença oceânica entre as audiências do debate da Band e do evento paralelo feito pelo PT na internet vai fazendo cair a ficha de quem acreditava que esta eleição seria decidida ‘nas redes sociais’. E, como o noticiário já registra, o PT parece ter percebido que a campanha ‘alternativa’ já deu o que tinha de dar. Hora de virar a chave.”

Por: Meio