29 agosto 2018

Bolsonaro parte para o ataque, no Jornal Nacional



O clima foi de embate na entrevista de Jair Bolsonaro ao Jornal Nacional. No ponto alto, quando questionado sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, o ex-capitão inverteu a pergunta para os apresentadores. “Com toda certeza há uma diferença salarial, parece que é muito maior para ele do que para a senhora.” William Bonner, como editor-chefe, ocupa um cargo hierarquicamente superior. Renata Vasconcellos respondeu dura, numa alusão ao embate do candidato com Marina Silva, quando o tema era também era a mulher na sociedade. “O meu salário não diz respeito a ninguém”, ela afirmou. “E posso garantir ao senhor, como mulher, que jamais aceitaria salário menor de um homem que exercesse as mesmas funções.” Se foi o momento de maior tensão, houve outros. O ex-capitão tentou mostrar um livro sobre sexualidade para crianças que, ele afirma, seriam distribuídos para escolas. (O MEC nega.) Também defendeu que a polícia deve enfrentar com armamento pesado o tráfico em comunidades. E defendeu que não houve Golpe de Estado em 1964. “Aconteceu na forma da lei e da Constituição”, opinou. “Os militares foram eleitos, o presidente por cinco mandatos.” E provocou, como tem feito, lembrando que Roberto Marinho defendeu o movimento à época. “Roberto Marinho foi ditador ou democrata?” Assista ou leia a íntegra.

As afirmações do candidato foram checadas por Lupa e Aos Fatos.

Josias de Souza: “Jair Bolsonaro distribuiu rajadas. Mostrou que, bem treinado, adapta-se a qualquer cenário — ao Vietnã das redes sociais tanto quanto à trincheira da Rede Globo. Como que decidido a evitar que Renata Vasconcellos virasse uma segunda Marina Silva, preocupou-se em dar a última palavra. Insinuou que há dinheiro público também nos vencimentos dos entrevistadores: ‘Vocês vivem em grande parte aqui de recursos da União. São bilhões que recebem da propaganda oficial do governo.’ Bolsonaro aproveitou a ‘plataforma de tiro’ da Globo para disparar mensagens repetidas aos seus fieis. Com ridículos oito segundos no horário eleitoral, ganhou de presente 27 minutos de vitrine nacional. Usou o tempo para despertar a fidelidade dos seus eleitores às vésperas dos ataques que os adversários lhe farão na TV, especialmente o tucano Geraldo Alckmin.”

As primeiras análises feitas com grupos de foco indicam que o público considerou que Bolsonaro acertou o tom na entrevista, informa o Painel. (Folha)

Aliás... Bolsonaro terminou o dia pendurado no Supremo. A Primeira Turma empatou em dois a dois na avaliação de se ele pode ser denunciado por crime de racismo. O candidato, na avaliação da Procuradoria Geral da República, teria ofendido quilombolas, índios e estrangeiros durante uma palestra no Clube Hebraica carioca, em 2017. Marco Aurélio Mello e Luiz Fux foram contra, defendem que a imunidade parlamentar o deixa livre para falar o que quiser. Luiz Barroso e Rosa Weber discordam e enxergam crime. O desempate teria de ser dado pelo ministro Alexandre de Moraes, mas ele pediu vistas. Explicou que seu voto seria longo e por isso quis adiar. Deve retornar ao tema na próxima terça.

Onde pega: substitutos eventuais do presidente da República não podem ser réus no Supremo. Assim, feito réu, ele poderia tomar posse no mesmo cargo? A leitura não é tão clara. Uns defendem que sim. Outros, que não. Argumentam que, como foi restrito o foro privilegiado, é possível que o STF, caso o acate, envie o processo para primeira instância. Será necessário interpretar a Constituição para entender o que acontece neste caso. Mas ele pode, ao fim, sertornado inelegível. (Estadão)

Por: Meio