02 agosto 2018

Articulação de Lula asfixia Ciro



Foi tudo coordenado. O PT deu ordens ao diretório de Pernambuco para que retire a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo do estado, abrindo caminho para Paulo Câmara disputar sem grande adversária sua reeleição. Por sua vez, o PSB mineiro informou a Márcio Lacerda que ele não concorrerá ao Palácio da Liberdade, facilitando ao petista Fernando Pimentel a sua reeleição. Assim, articulado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de dentro da prisão, o pacto leva o PSB à neutralidade, sem apoiar qualquer candidato na eleição presidencial. Ao acenar a Manuela D’Ávila com a vice no momento em que a hora chegar, também o PCdoB foi neutralizado. Lula utilizou-se ainda dos estreitos contatos familiares para dissuadir Josué Gomes, filho de seu vice nos tempos de Planalto, de formar chapa com o tucano Geraldo Alckmin. O resultado concreto. Embora líder pelo flanco esquerdo nas pesquisas, o pedetista Ciro Gomes está isolado e entra sem apoio na briga pela presidência. Assim como Alckmin chegará com uma chapa mais fraca. O cálculo de Lula é de que esta será uma eleição polarizada. Se haverá apenas uma vaga para a esquerda no segundo turno, tratou de asfixiar o PDT. (Folha)

O PSB tem direito a 3 minutos e 50 segundos na televisão. O PDT a 2 minutos e 20 segundos. É o tamanho da perda de Ciro.

Ciro Gomes: “Sabemos que a Lei da Ficha Limpa não permite um condenado ser candidato. O PT ensaia uma valsa à beira do abismo. Se o Lula se considera inocente, Palocci é réu confesso. Isso está virando religião. Stédile chamou seis companheiros para fazer greve de fome. É caudilhismo do mais barato. Isso não é política para um país como o nosso. Considero o comportamento do PT hostil. Não sei o que fiz para merecer isso. Quando entrei nessa luta, sabia que era um cabra marcado pra morrer.”

Pois é. No primeiro momento, o presidente do PDT chegou a achar que era brincadeira. Mas a presidente petista Gleisi Hoffmann ofereceu ontem a vice a Ciro. (Folha)

O PCdoB formalizou ontem Manuela D’Ávila como candidata ao Planalto. No discurso, ela defendeu unidade da esquerda. “Se surgir alguma novidade nesse sentido, seguimos entusiastas.”

Paulo Celso Pereira: “Foi por 450 mil votos que Lula tirou Leonel Brizola do segundo turno da eleição presidencial de 1989 e deu início à hegemonia do PT no comando da esquerda brasileira. Desde então, o partido não hesitou em atropelar qualquer nome que tentasse ameaçar seu poder. A dinâmica externa replica a atuação interna de Lula. Foi para não permitir que alguém lhe fizesse sombra que o ex-presidente optou por lançar Dilma Rousseff — recém-chegada ao PT e sem qualquer expressão eleitoral — para sucedê-lo em 2010. Hoje, o desafio do PT é ainda maior. Sem ter como garantir a unidade da esquerda em torno de um candidato indefinido, restou fazer o necessário para impedir que Ciro Gomes possa se apresentar na TV como alternativa.” (Globo)

Por: Meio