25 julho 2018

O milagre da multiplicação dos candidatos a vice



Segundo o PR, Josué Gomes só dará a resposta definitiva a respeito da vice de Alckmin amanhã, quando o Centrão formalizar o apoio aos tucanos. Até lá, há chances. Segundo apurou Tales Faria, o bloco terá outros quatro nomes a indicar. A senadora gaúcha Ana Amélia, do PP, o deputado pernambucano Mendonça Filho, do DEM, o empresário potiguar Flávio Rocha, do PRB, e o ex-deputado alagoano Aldo Rebelo, que embora por anos tenha dirigido o PCdoB, hoje está no Solidariedade.

Mas corre por fora, afirma o Radar da Veja, o paranaense Álvaro Dias — que é candidato à presidência ele próprio, e não tão longe assim de Alckmin nas pesquisas. O ex-governador paulista teria grandes chances de trazer para si, de largada, os 3 a 4% de votos de Dias.

Pois é. Enquanto não se decide pela vice tucana, uma aproximação de Josué com o PT tornou-se muito improvável. Na Folha de hoje, ele escreve longo artigo no qual diz muito pouco mas deixa uma afirmação clara. “Numa conjuntura marcada por agudos problemas, não há espaço para apostas e testes. Pelo que já fez e demonstrou em termos de liderança, sobriedade, capacidade de dialogar e de gerenciar bem em plena crise, Geraldo Alckmin reúne todos os requisitos para cumprir a complexa missão que se coloca.”

A campanha de Bolsonaro, enquanto isso, começa a entrar em parafuso. De acordo com o Painel da Folha, o ex-capitão voltou ao início da lista e tentou nova investida para conseguir o general Augusto Heleno, ex-comandante das Forças no Haiti. E ouviu, novamente, o mesmo não do PRP. E dois novos nomes começaram a circular, sugerindo — diz o BR18 — uma chapa puro-sangue. Um é o do presidente de seu PSL, Luciano Bivar. Outro, do deputado mineiro de primeiro mandato Marcelo Álvaro António.

Marina Silva busca, também, um vice dentro de sua Rede. O presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello é uma possibilidade, junto com o veterano deputado Miro Teixeira e o economista Ricardo Paes de Barros. (Globo)

Já a campanha de Ciro Gomes desligou-se ao menos momentaneamente da busca por vice para dar uma guinada à esquerda em busca dos votos petistas. “Lula só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder”, falou em entrevista à TV Difusora, do Maranhão. Para o pedetista, é preciso conter a Lava Jato. “Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar, e restaurar a autoridade do poder político.”

Até agora, as únicas chapas com vice definido são as de PSOL, PSTU e Novo. Em comum o fato de que são, as três, puro-sangue, com vices do mesmo partido. E a boa turma do Nexo perguntou a cientistas políticos o porquê da dificuldade, este ano. “Normalmente existem duas candidaturas claramente definidas, que nas últimas eleições foram ocupadas pelo PT e pelo PSDB”. explica Marcia Ribeiro Dias, da Unirio. “Este ano, esses partidos estão em situação atípica. E os demais, que não têm vocação majoritária, estão tentando avaliar como vão se posicionar e estão com dificuldades de identificar quem será o candidato viável.” Cláudio Couto, da FGV-SP, concorda. “Esse cenário de indefinição e de fragmentação faz com que haja uma demora para confirmar as alianças. E não vejo nenhum candidato que seja beneficiado.”

Por: Meio