11 junho 2018

Trump e Kim fazem encontro histórico hoje à noite



O presidente americano Donald Trump e o ditador norte-coreano Kim Jong-un já estão em Cingapura para o histórico primeiro encontro entre chefes de Estado de seus países. Eles se hospedam no luxuoso Hotel Capella, na ilha de Sentosa, e se tudo ocorrer conforme planejado se verão às 22h de hoje, em Brasília. Na Ásia já será 9h de amanhã, dia 12. Trump quer iniciar as conversas sem diplomatas: apenas ele, Kim, e os tradutores oficiais. Afirma que, no primeiro minuto, já saberá se seu adversário fala sério a respeito de buscar um acordo.

A missão do americano é difícil. Por um lado, apresentar um acordo de paz fará bem a seu governo. Sofre internamente uma investigação a respeito de conluio com o governo russo por conta da eleição, e sua política de guerras comerciais provoca conflitos com aliados e cria inimigos dentro de seu próprio partido, por tradição favorável ao livre mercado. Trump precisa de uma vitória. Mas classifica o acordo feito por Barack Obama com o Irã, que tirou do país dos aiatolás 90% de seu combustível nuclear, como um fracasso. Ou seja: vitória para Trump tem de ser um acordo que ele possa vender como melhor.

O jogo de Kim é a longo prazo. Seu país é muito pobre e o jovem ditador está abrindo a economia no modelo chinês. Já é possível fazer aulas de yoga em Pyongyang, há restaurantes de sushi e táxis circulam pela rua. Inimaginável uns anos atrás. Não basta ser só para a elite. Para que a ditadura sobreviva, o país precisará se abrir mais e paz com o ocidente se faz necessária. O poder nuclear, porém, é o que dá à pequena Coreia do Norte o que barganhar, além de manter Kim Jong-un no comando. Há limite no que pode ceder. Os dois, Trump e Kim, têm incentivos para arranjar algum acordo.

Aliás... É do alemão Jesco Denzel a fotografia da semana que passou. Ele flagrou sua chefe, Angela Merkel, debruçada sobre uma mesa olhando incrédula para um Donald Trump que, pelos braços cruzados, parece dizer ‘não arredo o pé’. O premiê japonês Shinzo Abe observa com mau humor. O flagrante foi do tenso encontro do G7, ocorrido no Canadá, no qual aliados tentaram reverter a política tarifária de Trump. Não deu.

Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC: “A ironia não é pequena quando, à medida que o comércio global cresce no ritmo mais saudável em anos, as tensões comerciais aumentam para níveis não vistos em décadas. Até agora, grande parte da atual retórica anti-comércio não se traduziu em ação. Mas a retórica em si pode ser prejudicial. A mera ameaça de sanções pode assustar os mercados, desviar os fluxos de comércio e afetar os preços de forma a reduzir o crescimento econômico, e algumas luzes de alerta já começam a piscar. Para entender o perigo intrínseco representado pelo aumento das tensões comerciais, temos de considerar a natureza interconectada da economia global de hoje. Quase dois terços dos bens comercializados têm componentes que foram fabricados em pelo menos dois países diferentes. Como argumenta o economista Richard Baldwin, erguer barreiras comerciais nessa economia é como construir um muro no meio de uma fábrica.”

Por: Meio