20 junho 2018

Presidente do PT é absolvida pelo Supremo



A Segunda Turma do Supremo absolveu, ontem, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. Ambos eram acusados de dois crimes. Corrupção passiva — receber dinheiro em troca de favores — e lavagem deste dinheiro. A acusação havia sido feita pelo doleiro Alberto Yousseff e corroborada por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. A maior prova era a agenda de Costa, na qual estava anotado ‘1,0 PB’ — que significaria R$ 1 milhão para Paulo Bernardo. O relator, Edson Fachin, considerou que os procuradores não conseguiram comprovar com evidências documentais as acusações dos delatores. Ele achou, porém, que era possível condenar o casal por falsidade ideológica para fins eleitorais — ou seja, receber dinheiro para a campanha e não registrar. Caixa dois. O decano da Corte, Celso de Mello, concordou. Eles compreenderam que o dinheiro havia entrado na campanha, apenas não era possível afirmar que algo havia sido feito em troca. Mas só eles viram isso. Seus companheiros de turma, Dias Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes, não viram prova alguma para nada. Absolvidos estão: 5 a 0 nas primeiras duas acusações, 3 a 2 na terceira. Ainda há dois inquéritos em curso, ligados à Lava Jato, que envolvem Gleisi e Paulo Bernardo. Em um, são acusados de formar organização criminosa junto a outros petistas para fraudar a Petrobras. Outro, de ter recebido vantagens indevidas da Odebrecht. (Jota)

A mesma Segunda Turma avalia, na próxima terça, um pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-presidente Lula. No dia seguinte tem jogo do Brasil. Os advogados pedem que Lula aguarde em liberdade os recursos no STJ e no próprio STF e que sua inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa seja suspensa. Dentre os movimentos anti-petistas, há um clima de paranoia no ar. ‘Julgamento de Lula não será televisionado’, espalhava ontem o Vem Pra Rua. Julgamentos das turmas não costumam ser televisionados, só os do pleno. Mas com Gilmar, Toffoli e Lewandowski, é a Segunda Turma que costuma dar vitória contra a Lava Jato. E o fato de o julgamento ser na véspera do jogo incomoda igualmente. A data do dia 26, porém, um dia útil, foi pedida pelo ministro relator, Edson Fachin. Que tem histórico de rigor pró-Lava Jato.

Por: Meio