04 junho 2018

Governo de olho na gasolina



Durante o fim de semana, o litro da gasolina passou de R$ 1,9671 para R$ 2,0113 nas refinarias. Em um mês, a alta acumulada é de 11,29%. Não bastasse, por conta do período de escassez, inúmeros postos no país puxaram bastante para cima o preço do combustível — com dezenas de autuações pelos Procons regionais. Alguns chegaram a cobrar mais de R$ 6 pelo litro. Já antevendo pressões do governo, executivos da Petrobras, que não é mais presidida por Pedro Parente desde a sexta-feira, já sinalizaram que esta política de reajustes diários pode mudar também para a gasolina. A condição é de que o lastro do preço internacional não seja abandonado. (Valor)

Pois é: especialistas ouvidos por repórteres do Valor afirmam que é possível diminuir o impacto da flutuação dos preços de dólar e petróleo no custo final do combustível. Só não é simples. Uma política de amortização pode dirimir variações abruptas do preço final, mas não reduz o valor absoluto. Depois, seria necessário mudar como tributos são cobrados. Um valor fixo por litro, por exemplo, ao invés de um percentual. É uma forma de subsídio, mas os estados, atolados em suas dificuldades econômicas, resistem. Mas há vantagens numa política assim. Principalmente porque suaviza os repasses por toda a cadeia da economia. Mudanças bruscas de um dia para o outro não chegam tão rápido ao valor dos produtos transportados e podem ser corrigidos com novas quedas do mercado internacional. Há outra alternativa, claro. Haver concorrência ajudaria, também, na queda de preços. Mas não parece ser uma alternativa na mesa.

A queda de Pedro Parente pegou todo mundo de surpresa. No rastro da greve dos caminhoneiros por causa da política de preços adotada pela Petrobras, o executivo pediu demissão, na sexta-feira, do comando da petrolífera. Quem assume é Ivan Monteiro, que ocupa o cargo interinamente e deve ser confirmado como presidente definitivo em reunião hoje. Com a saída de Parente — o nome de Monteiro ainda não havia sido anunciado — as ações da empresa fecharam entre as maiores quedas do Ibovespa, na sexta. Com a desvalorização de 14,86% nas ações preferenciais, e a perda de 14,92% nas ordinárias, a estatal perdeu R$ 40 bilhões em um só dia. (Estadão)

Quem se deu bem foi a BRF. Os papéis da dona das marcas Sadia e Perdigão dispararam mais de 9%. Parente é presidente do Conselho de Administração da empresa e o cargo de diretor-presidente está sendo ocupado de forma interina pelo diretor financeiro, Lorival Nogueira Luz. A expectativa é de que Parente assuma a vaga. (Globo)

Falando em greve... O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, afirmou ontem que o governo não irá prorrogar o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza o uso das Forças Armadas para desobstrução de vias públicas. Ela vence hoje. A avaliação do governo é que o abastecimento foi normalizado. (Globo)

E a BBC mostra que a paralisação dos caminhoneiros pode ter sido a maior mobilização mundial já feita pelo WhatsApp — e que isso é uma prévia do impacto que o aplicativo de mensagens pode ter nas eleições de outubro.

Por: Meio