06 junho 2018

Centro se digladia entre candidaturas fracas



Foi praticamente ignorado, mas um grupo de parlamentares liderados por Cristovam Buarque, do PPS, e Marcus Pestana, do PSDB, lançaram ontem um manifesto pedindo uma candidatura única que represente o centro democrático. Entre os signatários estão o ex-presidente Fernando Henrique e o chanceler Aloysio Nunes. O objetivo é romper o bloco que, segundo ao menos uma pesquisa, se consolida na frente — Ciro contra Bolsonaro. Mas as conversas que poderiam unir siglas que vão da centro-esquerda à centro-direita tão díspares quanto PSDB, PPS, PSD, PV, MDB, DEM, Rede, Podemos, PRB e o Novo não rendem. “Quem é candidato acha que vai ganhar ou que a eleição dá capital político para campanhas futuras”, explica Nunes. Leia o manifesto (PDF).

A vida de Geraldo Alckmin, segundo o Painel, é de puro estresse. Ele está sob pesada pressão interna. Já no MDB, Henrique Meirelles precisa se desvencilhar do rótulo de candidato de Michel Temer. Tentou fazê-lo numa entrevista, está se explicando desde então. Sem apoio de Temer, não conseguirá garantir a candidatura. (Folha)

Em um jantar na segunda-feira, Alckmin chegou a jogar o guardanapo sobre a mesa e perguntar aos presentes — todos grão-tucanos — se eles preferiam ter outro candidato. (Folha)

Há aventuras de todo tipo. Uma, informa Vera Magalhães, sugere colocar Nelson Jobim no lugar de Meirelles, pelo MDB.

Nathan Blanche, da Tendências Consultoria: “O que temos hoje são duas candidaturas populistas liderando as pesquisas. Uma de direita, outra de esquerda. O mercado de câmbio oscila em função disso, por causa da forte crise fiscal. Há pouca relação com os fundamentos do mercado de câmbio porque o país tem reservas de US$ 380 bilhões, baixo déficit em conta-corrente e fluxo cambial positivo.” Para ele, se um cenário com Bolsonaro e Ciro se mantiver nos próximos meses, a moeda americana pode passar dos R$ 4 justamente quando a trégua negociada no preço do diesel estiver espirando. (Globo)

Pois é. O dólar renovou as máximas em mais de dois anos e fechou o dia ontem cotado a R$ 3,81 — a maior cotação desde 2 março de 2016. O Banco Central precisou intervir na valorização e fez um leilão adicional de swap cambial — uma venda de moeda americana no mercado futuro que tem como objetivo conter a volatilidade. (Globo)

Por: Meio